Janaúba: comunicamos o falecimento do senhor Jesuíno Costa

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É com pesar que comunicamos o falecimento do senhor Jesuíno Costa. A família comunica que o velório está acontecendo no Memorial da Funerária PAX Carvalho. O sepultamento será nesta terça-feira, 20 de janeiro, às 10 horas da manhã, no Cemitério Campo da Paz, bairro São Lucas em Janaúba.

Estradas que impulsionaram cerrado mineiro travam desenvolvimento

Ônibus passa pela zona rural de São Francisco, em trecho estadual onde a lama castiga quando sol e poeira dão trégua
Paracatu, Pirapora e São Francisco - A "boa estrada rodageira" citada na frase destacada no alto desta página, de Riobaldo Tatarana, protagonista de Grande sertão: veredas, foi inaugurada pelo então presidente da República, Juscelino Kubistschek (1902-1976) em 1961, cinco anos depois do lançamento do romance. Trata-se da BR-040, que ligou Belo Horizonte a Brasília, fundada em 1960. De lá para cá, o asfalto atraiu indústrias, fomentou o comércio, beneficiou o agronegócio e impulsionou o turismo e o setor de serviços no cerrado mineiro. A importância que a via teve para o desenvolvimento da região é incontestável. Mas 51 anos depois também é indiscutível a conclusão de que, nos dias de hoje, Riobaldo iria se referir a boa parte da 040 como "a perigosa e ultrapassada estrada rodageira".
Os 424 quilômetros da divisa de Minas com Goiás ao trevo de Curvelo não têm pista duplicada, acostamento adequado e barreira física entre direções opostas. Os predicados negativos causam prejuízo aos setores produtivos e põem em risco motoristas e passageiros. Para ter ideia do perigo, a pior tragédia na malha viária que corta o estado, em 2012, ocorreu justamente na 040. Em 17 de março, 15 pessoas morreram numa batida, próximo a Curvelo, entre um ônibus e uma carreta. O condutor do coletivo é suspeito de tentar uma ultrapassagem em ponto proibido, mas a colisão poderia ser evitada se a pista fosse duplicada e separada da direção contrária por barreira física.
A tragédia não deixa dúvidas de que a "boa estrada rodageira" parou no tempo. Mas tal rodovia não é o único problema viário do cerrado mineiro. A BR-365, que liga a própria 040 a Pirapora, tem as mesmas características traiçoeiras. Ambas são de responsabilidade da União e não há previsão, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para serem duplicadas. A última grande intervenção que as rodovias sofreram foi a revitalização do asfalto, ao longo dos últimos dois anos. A medida é considerada mínima diante da importância das duas estradas e das condições em que se encontram.

Rodovias de responsabilidade do governo de Minas também trazem problemas para o sertanejo. Os 55 quilômetros da MG-161 que ligam São Francisco a São Romão, cidades visitadas por mais de uma vez pelos cabras criados por Guimarães Rosa, são de chão batido. Da mesma forma, os 59 quilômetros entre Corinto e Andrequicé, distrito de Três Marias e povoado onde Manuelzão morava. No sol, viajantes sofrem com a poeira. Na chuva, o lamento é a lama. A Secretaria de Transportes e Obras Públicas do governo de Minas informou que, em relação à MG-220, o projeto de engenharia para a pavimentação está em fase de execução.
Já os projetos da 161 foram concluídos e o próximo passo é a licitação para as obras. Mas há um detalhe: o órgão não tem previsão de quando as obras terão início. Na prática, muitos caminhos no sertão continuam semelhantes aos do tempo de Riobaldo e seu bando. A morosidade das várias esferas do governo - devido à falta de recursos, burocracia ou outros motivos - em duplicar e readequar trechos viários aos padrões considerados ideais e adequados aos dias de hoje contrasta com a importância do asfalto para o desenvolvimento da economia dos municípios que margeiam a 040, como Paracatu, uma das últimas vilas do ciclo áureo do ouro em Minas.
Ainda hoje, o metal nobre dita o ritmo da economia da cidade, antigamente chamada de Vila de Paracatu do Príncipe. Em 2011, a canadense Kinross Gold Corporation, maior empresa do setor no país, extraiu 453 mil onças %u2013 ou 14 toneladas %u2013 da mina Morro do Ouro. A empresa, cujo investimento de 2007 a dezembro de 2012 terá somado US$ 814 milhões, emprega 1,3 mil funcionários diretos e 3,4 mil indiretos. Centenas deles moram em hotéis da cidade, o que levou o empresário Vicente de Paula Ferreira a construir o Eldorado, com 104 quartos, ao custo de R$ 10 milhões. O local, que emprega 50 pessoas e foi inaugurado há poucos meses, foi erguido próximo às duas lojas dele, uma de calçados e outra de vestuário. "Nossa economia está em ascendência", comemora.
O técnico em segurança do trabalho João de Moura, de 52, define bem como está o mercado de trabalho na cidade: "Paracatu, hoje, significa vem %u2018pra cá tu%u2019 também". A Votorantim também chegou à cidade depois da abertura da BR-040. A empresa, que emprega 2,4 mil pessoas, entre vagas diretas e indiretas, extraiu 62 mil toneladas de concentrado de zinco sulfetado em 2011. O volume previsto para 2012 é de 68,56 mil toneladas %u2013 aumento de 10,5%. O zinco é usado na composição de ligas metálicas (latão e bronze), telhas e calhas residenciais, vergalhões, pregos, chapa da indústria automobilística e até pela indústria farmacêutica, pois intervém no metabolismo de proteínas e ácidos nucleicos e estimula a atividade de mais de cem enzimas.


Pablo de Melo
pablo-labs@hotmail.com

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