Grão Mogol mergulha em tragédia: BR-251, a “rodovia da morte”, vira cenário de caos, sangue e desespero

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A temida BR-251, conhecida por muitos como a “rodovia da morte”, voltou a ser palco de uma tragédia devastadora na manhã deste sábado (18), nas proximidades de Grão Mogol, no Norte de Minas. O cenário foi de destruição, correria e dor: duas pessoas morreram e pelo menos oito ficaram feridas após um grave acidente envolvendo três veículos. O impacto aconteceu no km 428 da rodovia, um trecho já marcado por histórico de acidentes. Segundo informações apuradas no local, uma carreta bitrem tombou na pista no sentido Salinas e, de forma violenta, atingiu um caminhão e uma van da saúde da Prefeitura de São João do Paraíso, que seguiam no sentido contrário. As imagens que ficaram para trás são de cortar o coração. No caminhão atingido estavam as duas vítimas fatais, que não resistiram à força do impacto. Já na van da saúde, que transportava pacientes, o cenário foi de puro desespero. Sete pessoas estavam no veículo no momento da colisão. Entre os feridos, casos graves chamaram a atenção das eq...

Baiano é testemunha do progresso que chegou

Baiano é comerciante no local desde 1980, quando acompanhou o processo de transferência da antiga UB (Universidade de Bauru) da Vila Falcão para a então remota região. Começou com um carrinho de lanches, depois evoluiu para um barraco de madeira e agora tem lanchonete bem montada, onde os filhos e funcionários servem inclusive almoço para estudantes e funcionários da universidade pública.
Um dos filhos dele, Carlinhos, 37, ajuda no resgate da memória. Ele cresceu nos arredores da Unesp e, como o pai, lembra de todos os frequentadores assíduos do bar.
Uma das recordações é contada entre risadas. Segundo Carlinhos, antes não havia iluminação pública na avenida, que também não era duplicada. Então, os estudantes que queriam ver a passagem do cometa Halley, em 1986, escolheram o local como ponto.
E alguém viu, Carlinhos? “Só os que beberam mais”, ele conta, bem-humorado.
O Bar Ubaiano precisou mudar de lugar quando a avenida foi duplicada e o comerciante aproveitou para deixar o espaço mais confortável.
O jeito simples, no entanto, continua o mesmo. Carlinhos conta que muitos estudantes gostam do local porque podem ficar à vontade. E antigos frequentadores, hoje profissionais respeitados, aparecem para visitar Baiano.
“Falei assim para um deles: não adianta vir com esse cabelo de ‘Zé Rico’ que eu te conheço”, diz. “Eles [os estudantes] sempre foram ligados comigo, a vida toda”, reforça.
Não foi só o bar que mudou. Tudo é diferente na avenida, cuja duplicação foi inaugurada em 2004. A via, antes estreita e rodeada de matagal, hoje é o endereço do Hospital Estadual, do 4º Batalhão da Polícia Militar e do Samu. Residenciais e pontos comerciais foram construídos na região.
A universidade que Baiano conheceu na década de 1980 também é outra. É maior e segue sendo ampliada.
“A cidade tem que ter progresso”, comemora o comerciante. “A cidade cresce e a gente cresce junto.”
Mineiro /Apesar do apelido, Baiano é mineiro. Nasceu em Janaúba, Minas Gerais. Veio para Bauru na década de 1960, em busca de trabalho. Criou seis filhos com a vida desgastante atrás do balcão. Acha que valeu a pena, principalmente por causa da família estruturada que construiu.
“O que importa é isso”, ensina.
Também gosta de dizer que sente orgulho dos alunos que viu começarem a vida adulta e hoje voltam e contam sobre a trajetória profissional.
A melhor história, no entanto, é mesmo a do Baiano. Quando precisou mudar o bar de lugar, ele impôs uma condição: “Vocês podem me mudar, mas a árvore vai junto”.
A árvore é uma figueira que ele plantou em 1981, nos fundos do bar antigo. Conta que a árvore deu muito trabalho, precisava ser aguada todos os dias. Se o comerciante não a levasse junto, seria derrubada para a avenida passar.
Baiano chamou a imprensa e conversou com ambientalistas até conseguir o replantio, numa pracinha ao lado do estabelecimento atual.
A figueira hoje á uma árvore grande e bela. Estudantes universitários usam sua sombra para ensaiar o conhecido batuque da Unesp. O comerciante fica de olho em tudo, satisfeito.
“Agora, ela está sossegada”, comemora Baiano embaixo da figueira. “Um dia eu vou e ela vai ficar.”

Floresta urbana é atração mais ‘rica’ da região
O cenário da avenida Luiz Edmundo Coube inclui muita gente fazendo caminhada nas calçadas, ciclistas, motoristas e uma academia ao ar livre inaugurada pela prefeitura há um ano.
A maior atração, no entanto, é a Floresta da Água Comprida, mais conhecida como floresta urbana, uma área de 60 hectares que já mobilizou ambientalistas em torno da grande necessidade de sua preservação.
A floresta chegou a ser “abraçada” por seus defensores, preocupados com a possibilidade de desmatamento para investimentos privados.

Deu certo. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que também surgiu na vida pública como ambientalista, resolveu desapropriar aos poucos a área para garantir a preservação.
Caso a decisão não fosse pela manutenção da área verde, árvores poderiam ser derrubadas para a construção de um condomínio de apartamentos.
O ataque ao meio ambiente tiraria da cidade um de seus pulmões verdes, mataria animais e seria capaz até de promover mudanças no clima da região.

O BOM DIA esteve num trecho da floresta na última quinta-feira. É como entrar num outro mundo, sem perder o contato com o anterior.
Dentro da mata, o som dos animais impressiona. Mas o barulho dos veículos do lado de fora continua, o que reforça a sensação de contraste entre a área natural e o espaço cada vez mais ocupado pelo desenvolvimento econômico.
A vida urbana também chega ali por meio da sujeira encontrada logo na entrada: copos, garrafas, pratos, embalagens de leite e plástico.
Perto da floresta e dono da simplicidade, Baiano faz sua parte para garantir ar puro e sombra. Ele não deixa ninguém fazer mal à figueira que replantou e impediu o progresso de engolir.


UB vira Unesp na década de 1980
A antiga Universidade de Bauru foi incorporada à Unesp em agosto de 1988. Tem área total de 456.987.017 hectares e 52.403,15 metros quadrados de área construída. São salas de aula, laboratórios, biblioteca, departamentos e área administrativa.

540
É o número de professores do campus da Unesp em Bauru. São mais de 6,3 mil alunos e quase 500 funcionários

Institutos são origem
A Unesp (Universidade Estadual Paulista) foi criada em 1976, a partir da incorporação dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo, que eram unidades universitárias localizadas em diversos pontos do Interior. As unidades haviam sido criadas entre o fim da década de 1950 e o início da década de 1960.

3
É o número de faculdades instaladas no campus local

Universidade é ampliada
Na década de 1990, a Unesp ampliou sua atuação e aumentou a oferta de vagas. Em 2003, por causa da política do governo de ampliar o ensino superior público, criou as Unidades Diferenciadas, chamadas Campi Experimentais. O primeiro reitor da universidade foi o professor Luiz Ferreira Martins. O atual, Hermann Voorwald, está afastado para ocupar o cargo de secretário estadual da Educação. O vice no exercício da reitoria é Julio Cezar Durigan.


Cristina Camargo
cristina.camargo@bomdiabauru.com.br

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