Tragédia abala Várzea da Palma: irmãos morrem após carro ser destruído ao atingir árvore na BR-365

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O amanhecer deste domingo (7) foi marcado por uma das mais dolorosas tragédias registradas recentemente em Várzea da Palma. Um grave acidente na BR-365 tirou a vida de duas crianças da mesma família e deixou outras três pessoas feridas, transformando uma viagem em um cenário de desespero, tristeza e comoção. A tragédia aconteceu por volta das 6h30 da manhã, no km 121 da rodovia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o veículo seguia pela BR-365 transportando cinco integrantes de uma mesma família quando, por razões ainda desconhecidas, o motorista perdeu o controle da direção e o automóvel saiu da pista, colidindo violentamente contra uma árvore às margens da estrada. O impacto foi devastador. Um adolescente de apenas 14 anos e uma menina de 10 anos morreram ainda no local. As equipes de resgate encontraram um cenário de destruição, onde os esforços dos socorristas já não puderam salvar as duas jovens vítimas. A cena comoveu até mesmo os profissionais acostumados a lidar com ocorr...

Norte de Minas: Falhas dos ônibus regularizados expõem passageiros a riscos

Rota Bonfinópolis de Minas a Brasília é operada por frota precária e passageiros,
muitas vezes, não encontram o mínimo de conforto para
 embarcar, como no ponto em Urucuia
Usuários de linhas intermunicipais no Noroeste e Norte de Minas são reféns de serviços de má qualidade, mesmo em viagens legais. em alguns trechos, são forçados a fazer parte do trajeto a pé
 

Por Bruno Freitas 
Bonfinópolis de Minas, Arinos, Januária e Manga – No lado oposto ao dos táxis, carros e ônibus clandestinos que disputam espaço e circulam diariamente no Noroeste e Norte de Minas, empresas de ônibus que operam de forma regular – seja por meio de concessão pública de linhas intermunicipais, concedidas pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG), ou autorizações judiciais, também apresentam falhas que ajudam a explicar o surgimento dos ilegais, ao mesmo tempo em que apontam a necessidade urgente de aprimoramento dos serviços.
De motor dianteiro, a grande maioria dos ônibus que desbrava os municípios do sertão, onde a cultura do transporte clandestino está enraizada entre a população, circula suja e em estado precário. A situação é agravada pelas condições das BRs-479 e 135, principais eixos viários de municípios como Arinos, Chapada Gaúcha, Januária, Itacarambi, Manga e Montalvânia, que alteram trechos asfaltados, de cascalho e terra. Com isso, o passageiro, personagem central, fica refém de serviços de má qualidade, sem segurança, mesmo quando a oferta de viagens está dentro da lei. A atuação do transporte regularizado na região é retratada pela segunda reportagem da série Transporte sem Lei.
A parca regularidade de horário dos ônibus, a tarifa, algumas das vezes proibitiva para a população, que sofre com a seca e o desemprego, além as dificuldades enfrentadas nos longos percursos das viagens – como quebras mecânicas, atrasos nas partidas e o transbordo da balsa que atravessa o Rio São Francisco, em Manga, remetendo à época das jardineiras, abrem passagem para o uso do carro clandestino como forma de deslocamento rápido entre as cidades, em detrimento da qualidade e segurança do serviço prestado, com veículos sem horários de viagem, tarifas pré-estabelecidas e motoristas desqualificados, conforme mostrou ontem o Estado de Minas.
A concorrência é agravada pelo fim do Grupo Amaral, uma das maiores empresas de ônibus da região que faliu no fim do ano passado, em meio à uma disputa familiar, dívidas e uma intervenção do governo do Distrito Federal (GDF). No lugar da Santo Antônio Transporte e Turismo (ESA) e Transprogresso, pelo menos três empresas de ônibus assumiram a operação das linhas com destino à capital federal, mas segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), somente a empresa Januária tem autorização legal para circular.

BAGAGEM NO OMBRO

Em Manga, município de 19,8 mil habitantes situado à margem esquerda do Velho Chico, a 709 quilômetros de Belo Horizonte, passageiros que utilizam as linhas de ônibus do transporte regular com destino à Jaíba, Janaúba e Belo Horizonte são forçados a fazer parte da travessia de balsa até Matias Cardoso, do outro lado do rio, a pé. O transtorno ocorre em razão da maré baixa do rio em parte do ano, o que a impossibilita a passagem de veículos grandes. Em novembro do ano passado, a Secretaria de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais (Setop) realizou a licitação do transporte aquaviário das balsas, por um prazo de 18 anos, mas não há previsão de melhorias.
Até então, a travessia era realizada precariamente por pessoas jurídicas, sem autorização ou fiscalização do estado, o que motivou ação civil pública exigindo a regularização do serviço. Como os ônibus não têm condições de utilizar o acesso à balsa, que é ingrime e de terra, são os próprios usuários que se encarregam de atravessar o rio. Funcionários e um caminhão-baú da empresa Transnorte, que opera as linhas da região, se dispõem a transportar as bagagens maiores. Mochilas e malas pequenas, contudo, são levados pelos próprios passageiros. A tarifa cobrada para a travessia de cada ônibus é de R$ 59. Seis balsas revezam o funcionamento da transposição, dos quais quatro funcionam durante os finais de semana. “Nessa época do ano, quando a maré do rio fica baixa, eles nem arriscam passar com o ônibus por aqui”, conta o fiscal Estelito Dourado, de 22 anos.


LAÇOS COM BRASÍLIA 
Em Bonfinópolis de Minas, no Noroeste Mineiro, João Oliveira, dono de uma mercearia na rodoviária da cidade desde a inauguração, há 25 anos, descreve o forte laço que a cidade tem com Brasília. “Fizeram um levantamento recente na cidade e descobriram que, além dos 6 mil moradores, há outros 24 mil bonfinenses morando em Brasília”, diz João. É possível ver muitos carros estacionados nas ruas de Bonfinópolis com placas de Brasília. A falta d’água e oportunidades de emprego, por outro lado, afastam as pessoas do município localizado a 560 quilômetros de Belo Horizonte e 150 de João Pinheiro.
Ninguém do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Sindpas) e da Transnorte foi localizado para comentar o assunto.

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