Grão Mogol mergulha em tragédia: BR-251, a “rodovia da morte”, vira cenário de caos, sangue e desespero

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A temida BR-251, conhecida por muitos como a “rodovia da morte”, voltou a ser palco de uma tragédia devastadora na manhã deste sábado (18), nas proximidades de Grão Mogol, no Norte de Minas. O cenário foi de destruição, correria e dor: duas pessoas morreram e pelo menos oito ficaram feridas após um grave acidente envolvendo três veículos. O impacto aconteceu no km 428 da rodovia, um trecho já marcado por histórico de acidentes. Segundo informações apuradas no local, uma carreta bitrem tombou na pista no sentido Salinas e, de forma violenta, atingiu um caminhão e uma van da saúde da Prefeitura de São João do Paraíso, que seguiam no sentido contrário. As imagens que ficaram para trás são de cortar o coração. No caminhão atingido estavam as duas vítimas fatais, que não resistiram à força do impacto. Já na van da saúde, que transportava pacientes, o cenário foi de puro desespero. Sete pessoas estavam no veículo no momento da colisão. Entre os feridos, casos graves chamaram a atenção das eq...

Queijo artesanal de Porteirinha recebe Selo Arte do IMA

O casal Regino Rodrigues da Silva e
a Rubnei Santos Gomes ganhadores do Selo Arte


Autorização para comercializar em todo o território nacional. É o que o Selo Arte, concedido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), permitirá à Rubi Queijaria, no município de Porteirinha, no Norte de Minas. A legalização para produzir Queijo Minas Artesanal exigiu paciência e dedicação do casal Regino Rodrigues da Silva e Rubnei Santos Gomes.

A certificação habilita a Queijaria Rubi a vender o produto em todo o território nacional. O casal é atendido pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial – ATeG Leite do Sistema FAEMG/SENAR/INAES. “Agradeço a todos os parceiros. O Senar abriu as portas para o aprendizado, por meio de capacitação, fiz curso de boas práticas, tem o atendimento do ATeG, que trouxe um bom retorno pra gente”, comemora a produtora que diz ter reaprendido a fazer queijos.

RECONHECIMENTO
A conquista do selo marca uma nova fase em Porteirinha e pode representar uma mudança no padrão de fabricação de queijos em toda a região, sete anos depois de o Ministério Público notificar pontos de produção de laticínios por descumprimento de normas de higiene. “O Sistema FAEMG/SENAR/INAES vem promovendo desde aquela época, cursos, capacitações e treinamentos, não apenas na prática de agroindústria, de boas práticas de fabricação, mas também em toda a cadeia produtiva do leite (da bovinocultura em si, do vaqueiro, da inseminação artificial, alimentação, manejo sanitário), e mais recentemente dois grupos com Assistência Técnica e Gerencial, mudando o enfoque do produtor rural, tornando-o um empresário rural. A gente vê com grande satisfação esse trabalho sendo reconhecido ”, enfatiza Dirceu Martins, Gerente Regional em Montes Claros, ao citar também as parcerias com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha, Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Porteirinha (Aciport), Sebrae, Emater, IMA, Unimontes e UFMG que se uniram para formalizar todo o trabalho das queijarias locais. Também foi criada a Associação dos Produtores de Queijo Artesanal da Serra Geral com a participação de 16 municípios. “Faz sete anos que fomos notificados em Porteirinha, e tem seis anos de envolvimento com todos os parceiros que abraçaram essa causa. Se não fosse o Senar e os parceiros, que nos ajudaram muito, a realidade seria outra, e hoje temos uma produtora em Porteirinha sendo reconhecida e representando a Serra Geral”, se alegra Nilton César de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha.

DEDICAÇÃO
Rubnei conta que não sabia fazer queijos. O primeiro professor foi o marido, o produtor Regino Rodrigues, que há 4 anos a ensinou a fazer o tipo frescal. “Esse outro queijo foi a partir da busca de informação e vendo a possibilidade de fazer algo diferenciado, com uma legislação já existente, que a gente se encaixava, bastava buscar conhecimento e técnicas de como produzir”, esclarece a hoje queijeira de mão cheia, que foi até a região da Serra da Canastra para aprender a produzir um queijo diferenciado na Serra Geral no norte de Minas.

Toda a produção da família é artesanal. O marido e o filho trabalham na ordenha e ela põe a mão na massa. Depois de prontos, os queijos ficam 22 dias nas prateleiras, antes de serem comercializados. Por fora, o queijo tem a casca mais seca, mas é macio por dentro, resultado do processo de maturação, também conhecido por casca lavada, porque é lavado todos os dias, e é o que também dá o sabor especial e a coloração mais amarelada ao produto.

Rubinei faz questão de explicar o que torna o queijo da Serra Geral de Porteirinha especial. Segundo ela, um dos fatores é o próprio “terroir” do Norte de Minas que não é o mesmo das regiões com fatores climáticos a seu favor e que já possuem certificação estadual. “O nosso queijo tem um sabor único, é totalmente diferente. Não temos baixa umidade, o nosso clima é seco, a nossa pastagem e a alimentação do gado são diferentes. É o nosso “terroir” que torna o produto diferente. Nossa região não tem a cultura de produzir esse queijo, então, não vejo como resgate de cultura, mas, de aprendizado mesmo, juntar o que tínhamos a nosso favor, adequar o que não tínhamos e daí surgiu esse queijo de sabor único”, esclarece Rubnei.

CAPACITAÇÃO
Toda a equipe do Sistema FAEMG/SENAR/INAES envolvida no projeto também se enche de orgulho e destaca o envolvimento e a perseverança da família.

O zootecnista Rodrigo Fonseca de Azevedo, do ATeG, explica que a assistência foi bastante focada na qualidade do leite, requisito essencial para produção desse tipo de queijo. “Fico muito feliz por eles, pois pude vivenciar o quanto foram focados e dedicados nesse processo. Mesmo passando por algumas dificuldades, em nenhum momento pensaram em desistir. Considero que essa vitória seja uma motivação para outras queijarias da região”, afirma Azevedo.

A tecnóloga Luciana Godinho, instrutora de derivados do leite do Sistema FAEMG/SENAR/INAES, ministrou o curso de trabalhador artesanal na produção de laticínios e afins/básico. A professora esclarece que o curso é destinado a produtos com leite pasteurizado, mas, também ressaltou e ensinou todas as etapas da fabricação do QMA – Queijo Minas Artesanal –, elaborado com leite cru. Para isso, qualidade e procedência são fundamentais, com práticas rigorosas de higiene em vacas sadias, livres de doenças e a qualidade do pingo, o chamado soro fermento, que pinga durante a noite e é coletado no outro dia para ser adicionado ao leite, são essenciais para obtenção de um produto de qualidade. “Ela sempre foi uma aluna muito aplicada e preocupada em oferecer um produto de qualidade, diferenciado e com identidade e mesmo depois do curso mantivemos contato, e eu que sempre fui uma entusiasta do QMA na região, ela sendo a primeira fiquei muito satisfeita”, comemora Luciana Godinho. “As capacitações são fundamentais nesses processos de legalização. O Senar tem capacitado, vários produtores de queijos na região. A nossa cadeia leiteira tem melhorado e tem sido uma fonte de renda para muitos produtores”, destaca a mobilizadora Ednalva Rosa dos Santos.

ENCOMENDAS
Atualmente são produzidos 17 quilos de queijo por dia. Mas a meta do projeto é chegar a 20 quilos. Antes, toda a produção era vendida no comércio local. E a família já tem encomendas de várias partes do Brasil. “Já estamos com alguns contatos dentro e fora do estado; supermercados e grandes padarias que estavam aguardando o registro para colocar nosso produto nas prateleiras”, diz Rubnei. “É um grande ganho para a Serra Geral, mas também para todo o Norte de Minas, mostrando a qualidade do nosso produto. Quando o produtor rural faz tudo dentro da técnica, com conhecimento e informações, ele pode sim obter muito sucesso na venda e comercialização dos seus produtos”, conclui Dirceu Martins.

Por Ana Medeiros

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