Hélio Pinheiro, prefeito de Catuti, no Norte de Minas, decretou luto oficial de três dias na cidade, após nove quilombolas morrerem em um acidente com uma van, na BR-122, na altura da cidade de Janaúba, também no Norte de Minas, na tarde de sábado (20).
"A cidade toda está muito triste. As pessoas que morreram eram muito conhecidas aqui”, disse o prefeito, que informou que todos os corpos serão enterrados na tarde deste domingo (21).
Segundo o prefeito, oito dos nove mortos estão sendo velados em Catuti. O velório do motorista ocorre na sede do município. Os das demais vítimas acontecem no distrito de Barreiro Branco (onde a maior parte dos quilombolas morava) e redondezas. Um outro corpo é velado no município vizinho de Monte Azul. "A ideia inicial era fazer um velório único, mas não houve possibilidade. Então estamos trabalhando para atender a vontade de cada uma das famílias. Vamos respeitar o que elas querem. Também queríamos fazer uma missa de corpo presente para todos, mas não será possível. Vão acontecer várias missas ao longo do dia", afirmou o prefeito.
Os quilombolas que morreram no acidente faziam parte da comunidade de descendentes de escravos Malhada Grande e estavam indo para Montes Claros, também no Norte de Minas, para fazer uma apresentação de dança em uma festa típica da cidade.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu após a roda dianteira da van, onde o grupo estava, se soltar. O veículo capotou na rodovia e se chocou com uma árvore. Onze pessoas ficaram feridas.
Sobre o fato de o veículo estar com o número de passageiros acima da capacidade permitida, o prefeito disse que uma comissão da prefeitura vai apurar o fato. "O veículo foi cedido ao grupo para que eles viajassem e se apresentassem em Montes Claros. Pelas informações que recebi, o motorista, ao sair do distrito, não voltou à sede do município. Já pegou outras estradas, cortando caminho. Então não foi possível verificar se o veículo estava com mais passageiros do que o permitido. Mas ainda não temos nenhuma informação oficial, temos que aguardar".
Pablo de Melo
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