A cidade de Salinas vive dias de medo, revolta e tristeza diante de uma sequência assustadora de mortes de cães e gatos que vem chocando moradores do Norte de Minas. O que começou de forma silenciosa no fim de abril agora já é tratado como um possível crime em série contra animais.
Protetores independentes e integrantes da Associação dos Protetores dos Animais de Salinas afirmam que o número de animais mortos pode chegar a 50. Já a prefeitura contesta oficialmente essa quantidade, mas reconhece a gravidade da situação.
Os primeiros casos foram registrados na Rua José Pacífico de Oliveira. Pouco tempo depois, novos corpos começaram a aparecer próximos ao Mercado Municipal, área conhecida por comerciantes alimentarem cães comunitários e gatos abandonados.
Segundo relatos da protetora Aryele Santos, os animais apresentavam sintomas extremamente violentos e semelhantes, levantando fortes suspeitas de envenenamento criminoso.
“Espuma na boca, convulsões, sangramentos e sofrimento intenso”, descreveu a ativista ao relatar as cenas presenciadas durante os resgates.
Mesmo com atendimento veterinário emergencial, alguns animais não resistiram. Dois corpos foram encaminhados e permanecem preservados no Hospital Veterinário do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, onde passarão por perícia técnica para identificar a substância utilizada.
Moradores afirmam que, após o início da sequência de mortes, praticamente desapareceram os cães e gatos que circulavam pelas ruas centrais de Salinas. O clima na cidade é de indignação e insegurança.
O prefeito de Salinas, Kinca Dias, confirmou que o município acionou as forças de segurança e declarou suspeitar de uma ação criminosa planejada. Apesar disso, a administração municipal afirma que os números divulgados por protetores estão acima da realidade.
De acordo com Cláudio Barbosa Oliveira, coordenador da Vigilância Sanitária e Ambiental, a estimativa oficial aponta cerca de 20 mortes confirmadas. Ele explicou ainda que muitos corpos teriam sido descartados diretamente pela população no aterro sanitário antes da chegada das equipes responsáveis pela coleta.
Diante da repercussão e da pressão popular, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou a abertura de um inquérito rigoroso pela Polícia Civil de Minas Gerais para investigar o caso e identificar os responsáveis.
O episódio em Salinas acende um alerta preocupante em todo o estado. Dados oficiais apontam que Minas Gerais registrou 1.917 casos de violência contra animais apenas no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
Pela legislação brasileira, maus-tratos contra cães e gatos são considerados crimes graves, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão — podendo ser aumentadas em casos de morte do animal.
As autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas anonimamente pelos telefones 181 e 197. Em situações de flagrante, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar de Minas Gerais pelo 190.
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