O clima político em Bonito de Minas, no Norte de Minas Gerais, virou um verdadeiro caos. Depois da anulação da eleição municipal de 2024 e da queda do candidato mais votado por inelegibilidade, agora o prefeito interino do município entrou na mira da Polícia Federal em uma investigação explosiva envolvendo suspeitas de compra de votos, transporte ilegal de eleitores e até ameaças.
O atual prefeito interino, Miquéias Mota Figueredo (Republicanos), assumiu a Prefeitura em janeiro de 2025 após ser eleito vereador e presidente da Câmara Municipal. Com a impossibilidade de posse de Dilson de Senhorinha (União Brasil), barrado pela Justiça Eleitoral após condenação por abuso de poder político, Miquéias passou a comandar temporariamente o Executivo até a realização de novas eleições suplementares.
Mas a situação ganhou contornos ainda mais dramáticos nesta sexta-feira (15), quando agentes da Polícia Federal cumpriram mandados e apreenderam o celular do prefeito interino, além de R$ 55 mil em dinheiro vivo.
Segundo as investigações da operação “Veredas Gerais”, Miquéias é suspeito de ter oferecido materiais de construção em troca de votos de cinco integrantes de uma mesma família da zona rural de Bonito de Minas durante as eleições de 2024.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que a casa da família investigada teria desabado posteriormente, em consequência das chuvas, sem que o material prometido tivesse sido entregue.
As denúncias não param por aí. Conforme a Polícia Federal, o prefeito interino também teria contratado um motorista para transportar eleitores irregularmente, indicando caminhos alternativos para evitar barreiras de fiscalização eleitoral.
Além dos supostos crimes eleitorais, Miquéias ainda é investigado por possíveis ameaças contra a pessoa responsável por denunciar o esquema às autoridades.
Até o fechamento desta edição, o prefeito interino não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações.
Mesmo cercado pelas investigações e pela pressão política, Miquéias já começou a se movimentar para disputar a nova eleição suplementar marcada para o dia 21 de junho. Em publicações nas redes sociais, ele anunciou a realização de convenção partidária, sinalizando que pretende entrar oficialmente na corrida pelo comando da Prefeitura.
Enquanto isso, moradores de Bonito de Minas acompanham perplexos mais um capítulo de uma crise política que parece não ter fim e que transformou a cidade em um dos epicentros da turbulência eleitoral no Norte de Minas.
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