Tragédia abala Várzea da Palma: irmãos morrem após carro ser destruído ao atingir árvore na BR-365

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O amanhecer deste domingo (7) foi marcado por uma das mais dolorosas tragédias registradas recentemente em Várzea da Palma. Um grave acidente na BR-365 tirou a vida de duas crianças da mesma família e deixou outras três pessoas feridas, transformando uma viagem em um cenário de desespero, tristeza e comoção. A tragédia aconteceu por volta das 6h30 da manhã, no km 121 da rodovia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o veículo seguia pela BR-365 transportando cinco integrantes de uma mesma família quando, por razões ainda desconhecidas, o motorista perdeu o controle da direção e o automóvel saiu da pista, colidindo violentamente contra uma árvore às margens da estrada. O impacto foi devastador. Um adolescente de apenas 14 anos e uma menina de 10 anos morreram ainda no local. As equipes de resgate encontraram um cenário de destruição, onde os esforços dos socorristas já não puderam salvar as duas jovens vítimas. A cena comoveu até mesmo os profissionais acostumados a lidar com ocorr...

Norte de Minas: Moradores resistem ao isolamento nas "cidades rurais"

A casa de Maria Perpétua, também na "cidade", tem até porteira e curral,
que fazem imaginar que continua vivendo na roça (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Luiz Ribeiro
Itacambira – Uma única avenida, três praças e 20 ruas resumem a área urbana de Itacambira, no Norte de Minas, uma das “cidades rurais” do estado. Dos 4,9 mil habitantes do município recenseados em 2010, 3,9 mil (79,5%) moram na zona rural. No “dia da feira”, eles se deslocam até a área urbana para receber aposentadorias e outros benefícios, vender o que produzem – incluindo verduras, frutas, milho, feijão, ovos, frango – e comprar o que precisam, de sal a roupas. Eles são transportados em ônibus cedidos pela prefeitura, que também disponibiliza caminhões para carregar as mercadorias. Nos outros dias, preferem evitar as péssimas condições das estradas vicinais e o relevo acidentado da região.
A dispersão das famílias dificulta e encarece a administração do município, afirma o chefe de gabinete da prefeitura, Joaquim Magno Miranda. “Temos que investir muito na reforma e conservação dos 500 quilômetros de estradas vicinais, que atendem em torno de 25 localidades rurais”, explica. Em algumas, o isolamento chega a ser completo no período de chuvas, quando estradas de terra se tornam intransitáveis, como ocorre em Macaúbas, às margens do rio homônimo, distante 34 quilômetros da área urbana de Itacambira e sem acesso a linhas de ônibus.
A energia elétrica é o único conforto da vida moderna ao alcance das cerca de 20 famílias de Macaúbas. Para telefonar, os moradores precisam se deslocar pelo menos 10 quilômetros até o “ponto” mais perto, onde o sinal de celular “pega”. Ali, internet é desconhecida. Apesar do acesso à televisão – viabilizado pela chegada da energia elétrica há apenas sete anos, o velho radinho de pilha continua sendo o único meio de contato de muitos com o “mundo externo”.
É o caso do agricultor aposentado José Pereira, que não sabe sequer a própria idade e que nunca assistiu a um programa de televisão. “Acho que tenho mais de 78 anos”, diz José Pereira. Ele mora com a mulher, Maria da Glória dos Santos, de 72, numa pequena casa a que só se chega depois de uma caminhada de 20 minutos por uma trilha e pelo leito do Rio Macaúbas. Sempre que precisa se deslocar até a sede de Itacambira, o aposentado paga R$ 100 de “frete” a um motoqueiro da região. Porém, já enfrentou situação pior. “Antigamente, eu viajava de Itacambira até aqui a pé, mais de cinco léguas (30 quilômetros), carregando mercadorias nas costas”, relatou.
Cercados de utensílios antigos, como um jirau – estrutura de madeira usada para escorrer vasilhas –, os agricultores João Batista Oliveira, de 55 anos, e Maria Dalva Soares de Oliveira, de 53, ficam mais de um mês sem visitar a área urbana. A mulher garante não sentir falta da cidade, mas reclama da escassez de assistência à saúde, problema agravado pela dificuldade de acesso à sede. “A gente só vai à cidade para comprar as coisas necessárias, como sal, arroz e açúcar”, afirma João Batista, que usa uma moto nos seus deslocamentos.
Para o casal José Pereira da Silva, de 62, e Alaíde Pereira da Silva, de 52, a aquisição desses produtos e serviços é “a maior dificuldade” para quem vive na localidade. Os dois passam até dois meses sem ir à área urbana, mas Alaíde diz preferir a roça. “Na cidade, é muito difícil, tudo a gente tem que comprar. Na roça, a gente produz alguma coisa”, comenta a mulher, acrescentando que apenas aprendeu a “assinar o nome” e a “ler um pouquinho” com o pai, que não permitiu que ela saísse de casa para estudar na cidade. Hoje, as crianças de Macaúbas são levadas para a escola em Itacambira e o carro do transporte escolar é um dos poucos veículos que transitam frequentemente entre a localidade e a área urbana. Questionado se conhece internet, José Pereira respondeu: “Já ouvi outros falarem. Dizem que é uma coisa muito importante, mas eu não entendo nada disso”.
Além da aposentadoria e do trabalho como agricultor, José Pereira da Silva tenta a sorte com garimpo, à procura de diamantes, no Rio Macaúbas, no fundo do seu terreno. Ele conta que a pedra mais valiosa que encontrou foi um diamante de quatro quilates, vendido por R$ 2,4 mil, divididos com um colega de trabalho. “Quem sabe um dia Deus olha pra gente e manda a sorte grande?”, sonha o agricultor garimpeiro.

Morador de Macaúbas, área rural de Itacambira, o casal de agricultores
José e Alaíde Pereira só vai à área urbana a cada dois meses para comprar mantimentos
(foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)

Pablo de Melo
pablo-labs@hotmail.com

Fonte: EM

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