Tragédia abala Várzea da Palma: irmãos morrem após carro ser destruído ao atingir árvore na BR-365

Imagem
O amanhecer deste domingo (7) foi marcado por uma das mais dolorosas tragédias registradas recentemente em Várzea da Palma. Um grave acidente na BR-365 tirou a vida de duas crianças da mesma família e deixou outras três pessoas feridas, transformando uma viagem em um cenário de desespero, tristeza e comoção. A tragédia aconteceu por volta das 6h30 da manhã, no km 121 da rodovia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o veículo seguia pela BR-365 transportando cinco integrantes de uma mesma família quando, por razões ainda desconhecidas, o motorista perdeu o controle da direção e o automóvel saiu da pista, colidindo violentamente contra uma árvore às margens da estrada. O impacto foi devastador. Um adolescente de apenas 14 anos e uma menina de 10 anos morreram ainda no local. As equipes de resgate encontraram um cenário de destruição, onde os esforços dos socorristas já não puderam salvar as duas jovens vítimas. A cena comoveu até mesmo os profissionais acostumados a lidar com ocorr...

Patrimônio mineiro, igreja inacabada do século 17 sofre com vandalismo

Abraçada por uma gameleira, a igreja de pedras de Bom Jesus de Matozinhos
é atração no local escolhido pelo escritor Guimarães Rosa como berço
do amor de Riobaldo e Diadorim, em Grande sertão: veredas
(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Apesar de ter sido tombada, ruína ligada à história do bandeirante Fernão Dias e que virou cartão-postal continua a ser alvo de pichações

Paulo Henrique Lobato 

Barra do Guaicuí – O sertanejo Charlysson Nunes exerce múltiplas funções no Norte de Minas, de servente de pedreiro a guia turístico, mas o que o deixa com um sorriso que parece não ter fim é começar a contar histórias e estórias de Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma, a 800 metros de onde o Rio São Francisco engole o Velhas e a 370 quilômetros de Belo Horizonte. Um dos causos prediletos do rapaz é sobre a inacabada igreja de pedras de Bom Jesus de Matozinhos, onde vingou uma imponente gameleira no lugar em que deveria existir uma torre.
“Sabe como a árvore foi parar lá?”, pergunta. E ele mesmo responde: “Obra de um passarinho, de um bem-te-vi. Tinha uma sementinha nas fezes do bichinho”. Ele é encantado com a imagem da raiz abraçando parte do templo. Mas algo no cartão-postal do lugarejo, onde moram em torno de 4 mil pessoas, o incomoda. Aliás, o tira do sério. O interior da Bom Jesus é alvo constante de vândalos. As paredes estão cheias de frases, nomes e símbolos grafados com facas, estiletes, chaves e outros instrumentos.
O prazer de vândalos em marcar a ruína é um ataque ao patrimônio público e à história da Bom Jesus de Matozinhos. A igreja começou a ser erguida no século 17. Por algum motivo que ninguém sabe explicar, a obra não foi acabada. Há várias teses e lendas sobre o tema. Uma diz que os operários morreram de malária. Outra sustenta que a construção foi interrompida ao se constatar que o leito do Velhas, a menos de 10 metros de lá, inundaria o templo em época de enchente.
O certo é que a Bom Jesus e o distrito inspiraram várias pessoas do meio cultural. Guimarães Rosa (1908-1967), por exemplo, descreveu Barra do Guaicuí em Grande sertão: veredas, sua obra mais importante, publicada pela primeira vez em 1956. O escritor mineiro escolheu Guararavacã do Guaicuí, como ele se refere ao povoado, para ser o lugar em que Riobaldo Tatarana, o protagonista, descobriu que amava Diadorim, a personagem que se vestia de homem e que “nasceu para o dever de guerrear e nunca ter medo, e mais para muito amar, sem gozo de amor (...)”.
Foi assim: “A Guararavacã do Guaicuí: o senhor tome nota desse nome... Mas foi nesse lugar, no tempo dito, que meus destinos foram fechados. Será que tem um ponto certo, dele a gente não podendo mais voltar pra trás? Travessia de minha vida. Guararavacã. O senhor vá escutando. Aquele lugar. O ar. Primeiro fiquei sabendo que gostava de Diadorim – de amor mesmo amor, mal encoberto em amizade”.
Dizem que Rosa não tem leitores. Tem fã-clube. Todos os anos, centenas de homens e mulheres que devoram seus livros vão a Guaicuí conhecer o templo e outras atrações do lugarejo. Quem tem a sorte de se encontrar com Charlysson logo aprende alguns causos. “Bem aqui (ao lado da igreja) ficava o cemitério. Há corpos sepultados debaixo de onde estou pisando”, garante o rapaz. A avó dele, acrescenta, sustenta que há um túnel, em torno de três quilômetros, que liga o templo a uma outra área onde há corpos sepultados.
A imagem da ruína da Bom Jesus sempre esteve ligada ao conceito de morte. Pelo menos é o que contam por aquelas bandas. Além da versão de que o tempo não foi concluído porque os operários morreram de malária, há quem sustente que Fernão Dias (1608-1681), o paulista cuja bandeira deu origem a várias cidades de uma região inóspita que viria a ser Minas Gerais, foi vítima de uma peste e fechou os olhos para sempre ao lado da igreja inacabada.
A menos de um quilômetro da Bom Jesus, há uma praça com a imagem do bandeirante. O nome homenageia o paulista. Durante parte do dia, o pintor Alex Alves Batista, de 50, descansa num dos bancos de lá. Em frente à praça, há outra igreja católica. “O sino é de 1779”, conta Alex. Ele defende a presença de vigias 24 horas para proteger a ruína da Bom Jesus.
O templo inacabado é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). O instituto estadual usou o depoimento de Richard Burton, um viajante que percorreu a região na década de 1860, como parte do conteúdo que justificou o tombamento.
“Toda em pedra de cantaria e cal mostra que, no tempo da colônia, o lugar conheceu melhores dias; como sempre, é uma obra semiconstruída (…). A entrada do lado sul nunca chegou a ser coberta por um telhado; na sacristia, a leste, só há caibros e o campanário não passa de três barras de madeira, em forma de forca, sustentando o sino. Pilastras e púlpitos de pedra estão condenados a não passar de embriões e um arco de alvenaria destinada a marcar o lugar do altar-mor, ao norte, está coberto de ervas-daninhas”, escreveu o viajante.

O sertanejo Charlysson Nunes no papel de guia turístico:
encanto pelas ruínas e irritação com ataques ao monumento
(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Nas paredes internas do templo, marcas do desrespeito pelo patrimônio
histórico gravadas com facas e estiletes
(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Pablo de Melo
pablo-labs@hotmail.com

Fonte: EM

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em Janaúba, homem é baleado na cabeça em frente à própria casa; estado é grave

Bomba política em Jaíba! Doze anos após cassação, prefeito Jimmy Murça volta ao banco dos réus e pode perder o cargo novamente

Janaúba vive manhã de terror com homicídio a tiros em via movimentada