O que era para ser um espaço de acolhimento, cuidado e dignidade se transformou em cenário de revolta e indignação. Nesta segunda-feira, 13 de abril, a nossa equipe de reportagem recebeu imagens estarrecedoras que, à primeira vista, mais pareciam registrar um baile funk — som alto, aglomeração, clima de festa. Mas a realidade por trás dos vídeos é ainda mais chocante: tratava-se de uma confraternização promovida por servidores da Prefeitura de Jaíba dentro da Casa de Apoio do município em Montes Claros.
O imóvel, localizado na Rua Juca Macedo, nº 774, no bairro Funcionários, deveria cumprir uma missão essencial: oferecer suporte a pacientes de Jaíba que se deslocam até Montes Claros em busca de tratamento médico e precisam de estadia. Um espaço pago com dinheiro público, que custa R$ 3.900,00 por mês aos cofres de Jaíba, criado para aliviar o sofrimento de quem já enfrenta batalhas pela própria saúde.
Mas o que se viu nas imagens foi o completo desvirtuamento dessa finalidade.
Vídeos mostram música alta, clima de balada e servidores aparentemente despreocupados com a gravidade da situação. Um verdadeiro desrespeito com pacientes e familiares que dependem do local para descansar, se recuperar e encontrar um mínimo de conforto em momentos difíceis.
A revolta cresce ainda mais ao se constatar que este não é um caso isolado. Denúncias anteriores já apontavam problemas na gestão do espaço, mas, desta vez, as imagens escancararam o que muitos suspeitavam: a Casa de Apoio estaria sendo utilizada de forma indevida, longe da sua real função social.
O episódio também recai diretamente sobre a gestão do prefeito Jimmy Murça, que volta a ser alvo de críticas. Desde o início do mandato, a administração enfrenta uma sequência de polêmicas, e, para muitos moradores, a sensação é de falta de controle e comando.
Após a repercussão negativa nas redes sociais, restou à gestão municipal tentar conter os danos. Na tarde desta segunda-feira, diante da pressão popular, veio o pedido de desculpas. Mas para grande parte da população, isso não é suficiente.
A pergunta que ecoa nas ruas de Jaíba é direta e incômoda: como um espaço destinado a acolher doentes foi transformado em palco de festa?
Enquanto isso, moradores começam a ligar os pontos. Aqueles que não conseguiam utilizar a Casa de Apoio aos finais de semana agora acreditam ter encontrado a resposta.
Entre indignação e descrença, fica um recado claro da população: respeito com o dinheiro público e, principalmente, com quem mais precisa não é favor — é obrigação.
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