Uma audiência pública realizada em Brasília trouxe à tona um cenário alarmante que atinge milhares de famílias em Minas Gerais: a ausência de energia elétrica em pleno século XXI. No centro do debate, o deputado estadual Ricardo Campos se destacou como a principal voz de denúncia contra o que classificou como “colapso” na execução do programa “Mais Luz para Todos” por parte da Cemig.
Com um discurso firme e embasado em dados, Ricardo Campos expôs a gravidade da situação, apontando a paralisação de milhares de pedidos dentro da companhia energética. Segundo o parlamentar, mesmo após audiências públicas e compromissos firmados, não houve avanços concretos. “Nenhuma lâmpada a mais foi acesa em Minas Gerais por meio do programa”, afirmou, evidenciando o que considera uma realidade desumana para milhares de mineiros.
Durante a audiência, números chocantes reforçaram a denúncia. Embora mais de R$ 6 bilhões tenham sido disponibilizados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para execução do programa, apenas R$ 32 milhões foram autorizados pela Cemig — cerca de 0,5% do total. Para Ricardo Campos, o problema não é falta de recursos, mas sim incapacidade operacional e inércia administrativa diante de mais de 4 mil pedidos protocolados.
O deputado também desmontou justificativas apresentadas pela companhia, especialmente a alegação de que muitos pedidos seriam considerados “segundo ponto”. “Isso é uma grande mentira, e nós já provamos isso”, disparou. Em tom de cobrança direta, ele exigiu providências imediatas: “Se a Cemig não tem capacidade de executar essas obras, que o Ministério de Minas e Energia acione a ENBPar. O que não pode é deixar o povo no escuro.”
A gravidade do cenário levou, inclusive, à formalização de denúncia junto ao Ministério Público Federal por possível prevaricação, diante do volume de demandas ignoradas.
A mobilização liderada por Ricardo Campos ganhou respaldo de outras lideranças políticas. O deputado federal Paulo Guedes reforçou a urgência de uma solução e propôs a criação de uma força-tarefa para romper a inércia. “Enquanto se discute de quem é a culpa, a população continua esperando anos pela luz chegar”, alertou.
Prefeitos de diversas regiões também trouxeram relatos contundentes que ilustram o abandono enfrentado pelas comunidades:
* Em Ibiracatu, moradores cobram diariamente a chegada da energia;
* Em Verdelândia, 139 famílias aguardam há mais de um ano;
* Em Varzelândia, o prefeito Amâncio criticou a politização do problema;
* Em Serranópolis de Minas, há famílias esperando há mais de seis anos;
* Em Manga, são 886 famílias sem acesso à energia;
* Em Mirabela, ao menos 180 famílias seguem no escuro.
O drama se intensifica em comunidades quilombolas e regiões ribeirinhas do Rio São Francisco, onde a ausência de energia elétrica convive com a precariedade de serviços básicos. Em alguns casos, há sinal de internet, mas não há energia sequer para carregar um celular — um retrato da desigualdade estrutural.
Diante desse cenário, a atuação de Ricardo Campos se consolida como protagonista na cobrança por respostas e soluções. Sua postura firme e sua articulação política colocaram o tema no centro do debate nacional, ampliando a pressão por medidas concretas.
A pergunta que ecoa após a audiência permanece sem resposta: até quando milhares de famílias mineiras continuarão vivendo no escuro?
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