Janaúba: comunicamos o falecimento do senhor Mauro de Oliveira

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É com pesar que comunicamos o falecimento do senhor Mauro de Oliveira. A família comunica que o velório está acontecendo no Memorial da Funerária Bom Pastor. O sepultamento será neste domingo, 18 de outubro, às 16h30m, no Cemitério Campo da Paz, bairro São Lucas em Janaúba.

Tragédia em Janaúba ainda traz preocupações, mesmo sete meses depois


(WebTerra) Era manhã de 5 de outubro. A vida gorutubana nunca mais foi à mesma. Um dia para ser como os outros na rotina da comunidade escolar. Mas aquela manhã a vida de milhares de pessoas tomou outros rumos, alguns de desolamento, perdas irreparáveis. Para outros, esperança. Mas no coração de todas as pessoas o mesmo sentimento de injustiça. Questionamentos? Dos mais variados.

A tragédia foi provocada pelo vigia, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, que entrou na unidade e ateou fogo nos funcionários, alunos e no próprio corpo, deixando 14 mortos, sendo dez crianças, duas professoras, a auxiliar de professora e o autor do crime. Dezenas de pessoas ficaram feridas.

A comoção foi nacional. Ajuda veio de todos os lugares do País.

Após sete meses de uma das maiores tragédias de Minas Gerais, o Webterra apresenta como estão às vítimas e os familiares da Creche Gente Inocente, em Janaúba, Norte de Minas, como tem sido o apoio da Prefeitura, como foi o repasse dos recursos.

Uma conta bancária foi criada à época, para receber doações, a SOS Gente Inocente, que arrecadou cerca de R$ 900 mil.

“Ficou acertado que o recurso seria distribuído em escala de gravidade. Então, as pessoas que tiveram óbito na família e danos graves receberiam três salários mínimos, danos intermediários, dois salários e danos leves ou sequelas respiratórias, um salário mínimo”, explica o Promotor de Justiça, Jorge Barreto.

De acordo com a Assessora Especial de Planejamento e Gestão da Secretária de Saúde, Cecília Moreira Freitas, há um dinheiro na conta que será entregue e logo após será encerrada.

“Até semana passada, quando pagamos as últimas parcelas de abril, tinha R$ 480 mil. Dessa quantia, R$ 250 mil será destinado ao projeto de reforma das casas e o restante será dividido de forma igual às 80 famílias”, esclarece a Cecília, gestora da conta.

Repasse de verbas
Luiz Carlos Batista, marido da professora Heley de Abreu Silva Batista, é presidente de uma associação fundada pelas vítimas, a AVTJana. Ele é que está gerindo os recursos arrecadados com eventos promocionais, como o Leilão e o 
Festival Solidário.

“Temos vivido certo abandono, porque a prefeitura recuou a ajuda aos familiares, após a fundação da associação, além da crise que se enfrenta no município. Tem faltado medicamento, transportes para levar as crianças para o tratamento e elas chegam aos hospitais da cidade e não têm médicos”, relata Luiz Carlos.

No dia 18 de março, um dia após a inauguração da nova creche, a associação recebeu um cheque no valor de R$ 100 mil. Luiz Carlos queixa a demora no repasse do dinheiro, já que o leilão foi realizado em novembro.

“Em um leilão, não são todas as pessoas que pagam a vista. Então, neste realizado pelo Sindicato teve muita compra parcelada e a entidade aguardou o pagamento integral e então criou a Avinc. Mas, havia uma dificuldade dos familiares buscar os recursos com a equipe da associação, porque eles trabalhavam e então havia um empecilho e foi decidido criar a AVTJana, que incorporou os direitos e deveres e, por isso, demorou o período de receber o valor”, esclarece o promotor Jorge Barreto.

Segundo o promotor, no dia 26 de abril foi pago mais R$ 60 mil à associação.

“Essa verba é para pagar remédios e cosméticos que não são entregues pelo SUS e cirurgias reparadoras para as vítimas. A primeira prestação de conta será no dia 17 de maio”, afirma.

80% queimado
Flávia Nayara Dias Silva, de 4 anos, teve o corpo 80% do corpo queimado, por causa disso, ela não pôde continuar na casa que morava antes da tragédia.

“Estou morando de aluguel há seis meses e a dona da casa já pediu ela de volta, eu não sei para onde vamos. Estamos aguardando liberar a verba para a reforma das casas, para que eu possa voltar para a minha. Hoje a renda que temos é da indenização que a prefeitura tem nos dado”, explica o pai da criança, Flávio de Oliveira Silva.

Foi acordado, em ata, que parte do valor arrecadado seria destinada à reforma de 14 casas, porque as vítimas não puderam voltaram para as mesmas casas e a construção seria de responsabilidade da prefeitura.

“Acontece que a prefeitura precisaria licitar essa construção e é uma concorrência muito burocrática, que demoraria de oito meses a um ano para finalizar. Então foi feita uma reunião entre a prefeitura e as vítimas para acordar que as vítimas realizariam essas reformas, mas que a prefeitura cederia o projeto, um engenheiro e um pedreiro. Essas reformas foram orçadas em R$ 250 mil. A Câmara autorizou e o valor será repassado a AVTJana”, esclarece o promotor.

Mas, de acordo com Luiz Carlos, presidente da associação, ele escreveu um carta negando o recebimento desse dinheiro e transferindo-o para a prefeitura.

“Nós nos reunimos com nosso advogado, fomos orientados e achamos por bem, após o desgaste de pedir e implorar, a demora que houve, decidimos protocolar uma carta na Câmara que não iríamos assumir mais. A prefeitura prometeu há muito tempo que iria nos entregar um valor para já adiantar, mas depois disse que tinha toda uma burocracia e então mexemos com isso. A conversa de que o dinheiro sair é antiga”, desabafa.

Falta de atendimento
Diversas famílias denunciaram ao Webterra a falta de atendimento dos Hospitais Regional e Fundajan.

A reportagem do Portal entrou em contato com os dois hospitais. No Regional, as ligações não foram atendidas. Já no Fundajan, os dois diretores interinos não estavam disponíveis para atender à equipe.

Foram duas semanas tentando falar com os hospitais, sem nenhuma resposta.

Segundo o promotor Jorge, as vítimas precisam criar a cultura de passar pelo Centro Viva Vida.

“Tanto a Fundajan quanto o Hospital Regional recebem consulta médica após regulação no Centro Viva Vida, o paciente da Gente Inocente precisa ir ao centro, fazer uma triagem e depois saber a qual dos dois hospitais. Se não passar pelo centro, ele será tratado como qualquer outro paciente”, explica.

Assistência às famílias
Além do dinheiro doado à conta SOS Gente Inocente, uma ação civil pública está em tramitação para definir a indenização que a prefeitura dará às vítimas. Para os casos mais graves, o dinheiro já está sendo adiantado, como é o caso da Flávia.

“Durante 12 meses, a partir de fevereiro, a prefeitura iria antecipar o valor, R$ 1.000 para as vitimas graves e R$ 500 para as leves e eles já estão recebendo esse valor. Se ao final do processo estabelece que a indenização será, por exemplo, de R$ 50 mil, a prefeitura termina de pagar os outros R$ 38 mil”, explica.

Segundo Flávio, pai da menina Flávia, a única doação que eles recebem atualmente é esta indenização da prefeitura.
Sobre a falta de medicamentos às vítimas, em nota a prefeitura alega que “Toda a assistência tem sido prestada às vítimas, desde médicos especializados, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, medicamentos, transportes e demais necessidades”.

Já sobre a falta de gasolina, que tem impactado no tratamento de algumas crianças, a prefeitura nega as denúncias dos familiares.

“O que ocorreu, em um intervalo de 24 horas, foi transição de processos licitatórios, em todas as Secretarias Municipais, tão logo sendo restabelecido o abastecimento”.

De acordo com Jorge Barreto, promotor da cidade, as pessoas que denunciam à Promotoria a falta de assistência, uma ação judicial é feita.

“Todas as pessoas que procuram, individualmente, a promotoria cobrando medicamentos, eu tenho requisitado que em 48 horas a prefeitura entregue. Em casos que há urgência e não é entregue, eu entro com uma ação judicial pedindo bloqueio de verba. Inclusive, fizemos isso com uma paciente que teve um tratamento bem custoso, até oncológico. Eu entrei com a ação e a prefeitura não deu o que ela precisava, eu pedi então, o bloqueio de R$70 mil da conta e continua bloqueado, porque não ofereceu o tratamento que ela precisava”, afirma.

A prefeitura garante que, após acabar o valor de doações e indenização, o apoio continuará sendo dado.
“A assistência continuará sendo prestada da mesma forma, uma vez que, a assistência às famílias está sendo realizada com recursos próprios do Município”, assegura em nota.

Dinheiro retirado
R$ 42 mil foram retirados das doações da conta SOS Gente Inocente para construir uma ala de queimados no Hospital Fundajan, mas, a população está descrente.

“Eu não acredito que essa ala será construída, pegou um dinheiro das doações para essa área, que não vai funcionar nunca”, afirma Luiz Carlos Batista.

O valor foi repassado em cheque para a Fundajan e ele permanece em uma conta, já que o hospital está sob intervenção judicial e toda movimentação financeira precisa ser prestada conta ao Juiz.

“Apenas um dos equipamentos custa R$ 42 mil. Para implantar uma ala de queimados com a qualificação que o SUS exige, é necessário cerca de R$ 250 mil, para isso é preciso de apoio, doações e amparo do poder público”, explica o promotor Jorge.

Após sete meses sustentando as famílias e vítimas, o dinheiro da doação tem se esgotado e o que resta a essas pessoas, é a indenização que a prefeitura pagará.

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