Janaúba, Jaíba e Matias Cardoso despontam como o novo polo do novo “Ouro Negro” em Minas Gerais



Impulsionadas pela ciência, pelo clima estratégico do semiárido e pela força do agronegócio regional, as cidades de Janaúba, Jaíba e Matias Cardoso começam a escrever um novo capítulo na história da produção agrícola mineira. Em plena semana do Dia Mundial do Cacau, celebrado em 26 de março, o Norte de Minas se consolida como o mais promissor território para o cultivo do chamado “Ouro Negro” — o cacau.

Tradicionalmente associado a estados como Bahia e Pará, o cacau agora ganha novas raízes em Minas Gerais, que busca deixar a posição de coadjuvante para se firmar como protagonista nacional. Atualmente ocupando o 10º lugar no ranking brasileiro, o estado aposta em tecnologia, pesquisa e inovação para ampliar sua área plantada, ainda modesta, de cerca de 480 hectares.

Norte de Minas: onde o improvável se torna oportunidade
Ao contrário do que se imagina, é justamente o clima quente e seco do semiárido que tem se mostrado um aliado estratégico. Em municípios como Jaíba — líder absoluto da produção estadual —, além de Janaúba e Matias Cardoso, o cultivo irrigado tem permitido transformar limitações climáticas em vantagens competitivas.

Segundo especialistas, uma das principais estratégias adotadas é o sistema agroflorestal, que consorcia o cacau com bananeiras. As bananas funcionam como sombreamento natural, além de ajudar a manter a umidade necessária para o desenvolvimento inicial das plantas — uma adaptação inteligente às condições da região.

Ciência a pleno sol: o diferencial mineiro
O avanço mais significativo, no entanto, vem da pesquisa. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) prepara uma verdadeira revolução no cultivo do cacau ao iniciar, a partir de abril de 2026, experimentos em áreas estratégicas como Mocambinho e Gorutuba.

O objetivo é ousado: testar o cultivo do cacau a pleno sol, algo que rompe com o modelo tradicional da cultura, historicamente dependente de sombreamento intenso.

A iniciativa conta ainda com a parceria de instituições de peso, como a Universidade Federal de Viçosa e a Universidade Federal de Lavras, por meio do Centro Tecnológico de Cacau em Regiões Não Tradicionais. A união entre pesquisa acadêmica e prática agrícola promete acelerar o desenvolvimento da cultura no estado.

Impacto direto na economia regional
Os números já mostram que o “Ouro Negro” deixou de ser promessa e passou a ser realidade. Dados da Emater-MG indicam que o cacau entrou oficialmente no levantamento de safras mineiras pela primeira vez, reflexo do crescimento consistente da produção.

O protagonismo regional é evidente:

• Jaíba concentra mais da metade da produção estadual, com cerca de 256 hectares

• Janaúba aparece como um dos principais polos emergentes

• Matias Cardoso reforça o cinturão produtivo do Norte de Minas

Além da produção, o impacto social é expressivo: cada hectare cultivado pode gerar até dois empregos diretos e quatro indiretos, fortalecendo a economia local e criando novas oportunidades no campo.

Do campo à barra: o primeiro chocolate regional
Se a produção da amêndoa já é realidade, a industrialização também começa a dar seus primeiros passos. Em Janaúba, pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros alcançaram um marco histórico: a produção do primeiro chocolate feito exclusivamente com cacau cultivado no Norte de Minas.

O feito representa mais de uma década de estudos e abre caminho para a consolidação de uma cadeia produtiva completa — do plantio à fabricação de chocolate de qualidade, agregando valor ao produto e fortalecendo a identidade regional.

Um novo mapa do cacau brasileiro
Com clima desafiador, mas altamente adaptável por meio da tecnologia, e com o suporte de instituições de pesquisa e extensão rural, o eixo formado por Janaúba, Jaíba e Matias Cardoso se consolida como o novo território do cacau em Minas Gerais.

Mais do que diversificar a produção agrícola, o avanço do “Ouro Negro” simboliza uma transformação econômica e social em curso no Norte do estado — uma região que agora passa a ser vista não apenas pela resistência ao clima, mas pela capacidade de inovar e prosperar diante dele.

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