Uma operação de grande impacto sacudiu o Norte de Minas nesta semana e colocou as cidades de Porteirinha e Monte Azul no centro de um escândalo envolvendo milhões de reais em lavagem de dinheiro, veículos adulterados e empresas de fachada.
Batizada de “Jó 38:11”, a ação foi deflagrada na última terça-feira (24) e já deixou um rastro de prisões, apreensões e revelações que chocam pela ousadia do esquema criminoso.
De acordo com as investigações, a organização movimentou cerca de R$ 11 milhões utilizando um esquema sofisticado que envolvia a locação de maquinários pesados. Esses equipamentos, em muitos casos, tinham origem em crimes como furto, roubo e estelionato. Após serem adulterados, eram inseridos em empresas ligadas ao grupo, que operavam com documentação falsa para dar aparência de legalidade.
As cidades de Porteirinha e Monte Azul tiveram papel de destaque na operação. Em Monte Azul, um investigado foi preso em flagrante após ser encontrado com três veículos, sendo um deles com sinais de adulteração. Já Porteirinha entrou no radar das autoridades como parte da rede de atuação do grupo, com cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Segundo a apuração, a base da organização ficava em Manga, mas o esquema se espalhava por diversas cidades mineiras e até outros estados. A operação também ocorreu em Montes Claros, Itacarambi, Olhos-d’Água e Patos de Minas, além de municípios do interior de São Paulo.
O saldo da operação impressiona: nove pessoas presas, sendo sete por mandado e duas em flagrante, além da apreensão de dinheiro, veículos, celulares, computadores e até arma de fogo. Em Manga, mais de R$ 20 mil em espécie foram encontrados, junto com veículos de alto valor. Em Montes Claros, uma caminhonete alvo de sequestro judicial foi localizada.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil de Minas Gerais, com apoio do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Militar de Minas Gerais, reunindo cerca de 50 policiais.
O nome da operação, “Jó 38:11”, faz referência a um versículo bíblico que simboliza um limite imposto às ações criminosas: “Até aqui virás, e não mais adiante”.
Apesar das prisões, as investigações continuam e a polícia não descarta a participação de outros envolvidos. A operação acende um alerta na região, mostrando que organizações criminosas podem atuar de forma silenciosa até mesmo em cidades do interior.
O que parecia distante agora preocupa moradores de Porteirinha e Monte Azul, que veem seus municípios no centro de uma investigação de grande proporção.
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