Do bairro São Lucas, em Janaúba, ao inferno da guerra na Ucrânia: brasileiro relata mortes, medo e desespero para voltar para casa
O soldado que aparece nas imagens é do estado do Ceará e foi alvejado por oito tiros e resgatado pelo Marcos.
Uma história que parecia improvável, que chegou a ser motivo de deboche nas redes sociais e que agora ganha um novo capítulo a partir de uma entrevista exclusiva. A milhares de quilômetros de Janaúba, no Norte de Minas Gerais, em meio ao frio, ao medo e à violência de uma das guerras mais devastadoras da atualidade, estaria um homem que nasceu e cresceu em terras gorutubanas.
Seu nome é Marcos. Tem 40 anos, é enfermeiro, pai de quatro filhos e afirma ser morador do bairro São Lucas, em Janaúba. Há aproximadamente um ano, segundo seu próprio relato, trocou a vida no Brasil pela realidade brutal dos combates na Ucrânia, país que enfrenta a invasão militar russa.
Na tarde desta terça-feira, 3 de novembro de 2026, o jornalista Pablo de Mello conseguiu conversar diretamente com Marcos, por meio de uma chamada de vídeo realizada pelo WhatsApp. O contato durou aproximadamente 20 minutos e revelou uma história marcada por decisões extremas, mortes, dificuldades financeiras e um desejo que hoje parece superar qualquer outro: voltar para casa com vida.
Da desconfiança nas redes sociais à entrevista exclusiva
Tudo começou quando páginas da região divulgaram informações sobre a suposta presença de um janaubense na guerra da Ucrânia. A notícia despertou curiosidade, mas também provocou comentários irônicos e manifestações de descrença.
Tudo começou quando páginas da região divulgaram informações sobre a suposta presença de um janaubense na guerra da Ucrânia. A notícia despertou curiosidade, mas também provocou comentários irônicos e manifestações de descrença.
Diante da repercussão, o jornalista Pablo de Mello decidiu investigar a história e procurar diretamente o homem mencionado nas publicações.
O primeiro contato aconteceu pelo Instagram. Posteriormente, a conversa avançou para o WhatsApp, onde foi realizada uma chamada de vídeo.
Do outro lado da tela estava Marcos, que se apresentou como um brasileiro natural de Janaúba e relatou sua experiência em território ucraniano.
A entrevista permitiu ouvir diretamente sua versão dos acontecimentos, embora as informações sobre sua atuação militar e os episódios de combate ainda dependam de confirmação independente.
Quatro mortes e uma revelação surpreendente: entre os combatentes estaria um brasileiro de Ipatinga
Um dos momentos mais impactantes da entrevista aconteceu quando Marcos afirmou já ter matado quatro combatentes que lutavam do lado russo.
Um dos momentos mais impactantes da entrevista aconteceu quando Marcos afirmou já ter matado quatro combatentes que lutavam do lado russo.
Entre eles, segundo seu relato, estaria um brasileiro natural de Ipatinga, município do Vale do Aço, em Minas Gerais.
A declaração chama atenção não apenas pela violência envolvida, mas também pela possibilidade de brasileiros estarem em lados opostos de uma guerra travada a milhares de quilômetros de seu país de origem.
Marcos contou que, após os confrontos, seria obrigado a recolher documentos dos combatentes mortos como forma de comprovar os resultados das ações militares.
Foi dessa maneira, segundo ele, que teria descoberto a nacionalidade de um dos homens que afirma ter abatido.
A identidade do suposto brasileiro morto, assim como as circunstâncias dos confrontos e o número de baixas mencionado por Marcos, não foi comprovada de maneira independente pela reportagem.
De Belo Horizonte aos campos de batalha: uma decisão que mudou sua vida
Antes de viajar para a Ucrânia, Marcos estava residindo em Belo Horizonte, capital mineira.
Enfermeiro de profissão, ele relatou que, por meio de contatos com colegas, começou a conhecer mais de perto a situação enfrentada pela população ucraniana.
Sensibilizado pelo sofrimento provocado pela guerra, decidiu deixar o Brasil para ajudar o país invadido pela Rússia.
O que começou como um sentimento de solidariedade acabou levando o janaubense para uma realidade completamente diferente daquela que conhecia.
Hoje, aproximadamente um ano depois, Marcos afirma que não se arrepende de sua decisão. Entretanto, admite que deseja abandonar o conflito e retornar ao Brasil o mais rapidamente possível.
O problema, segundo ele, é que sair da Ucrânia não tem sido uma tarefa simples.
Passaporte retido e desejo de voltar: janaubense afirma que está impedido de deixar a Ucrânia
Durante a conversa, Marcos fez uma revelação preocupante.
Durante a conversa, Marcos fez uma revelação preocupante.
Ele afirmou que tenta deixar o território ucraniano, mas estaria sendo impedido pelas autoridades locais, que, segundo sua versão, retiveram seu passaporte.
A situação o colocaria diante de um impasse angustiante: mesmo desejando retornar ao Brasil, não conseguiria deixar o país.
A reportagem não teve acesso a documentos que comprovem a retenção do passaporte, nem a informações oficiais sobre sua situação contratual ou militar.
Ainda assim, o relato evidencia a preocupação de Marcos com a possibilidade de permanecer em uma guerra da qual agora deseja sair.
Salário de R$ 3 mil, alimentação precária e risco de morte: a realidade relatada pelo brasileiro
Outro ponto surpreendente da entrevista envolve as condições financeiras.
Outro ponto surpreendente da entrevista envolve as condições financeiras.
Marcos contou que recebe pagamentos em euros e que, convertidos para a moeda brasileira, os valores corresponderiam a aproximadamente R$ 3 mil mensais.
Uma quantia que, segundo ele, está muito distante da imagem de enriquecimento que algumas pessoas poderiam associar à participação de estrangeiros em conflitos internacionais.
Além da remuneração considerada baixa diante dos riscos, Marcos reclamou das condições de alimentação, classificando a comida oferecida como péssima.
Ele também mencionou a possibilidade de receber valores muito superiores, que poderiam chegar a aproximadamente R$ 150 mil, caso participasse de determinadas missões de combate direto na linha de frente.
Essas operações, segundo explicou, envolveriam confrontos com forças russas e um risco elevado de morrer durante as ações.
Os valores mencionados representam exclusivamente o relato do entrevistado e não foram confirmados por documentação contratual ou fontes militares oficiais.
Dois graus de temperatura e uma chamada de vídeo feita às escondidas
Enquanto o jornalista Pablo de Mello conversava com Marcos, por volta das 15 horas no horário de Brasília, já era noite no local onde o brasileiro afirmava estar.
Enquanto o jornalista Pablo de Mello conversava com Marcos, por volta das 15 horas no horário de Brasília, já era noite no local onde o brasileiro afirmava estar.
Segundo ele, os termômetros marcavam aproximadamente 2°C.
O frio intenso, entretanto, parecia ser apenas uma das dificuldades enfrentadas.
Durante os cerca de 20 minutos de entrevista, Marcos demonstrou preocupação constante com a utilização do telefone celular.
Ele afirmou que o uso do aparelho seria proibido nas circunstâncias em que se encontrava e que, por isso, precisava realizar a comunicação clandestinamente.
A tensão percebida durante a conversa deu à entrevista um caráter ainda mais dramático.
Enquanto respondia às perguntas, o janaubense demonstrava receio de ser descoberto utilizando o telefone.
A reportagem preserva informações que poderiam revelar sua localização exata ou comprometer sua segurança.
A reportagem preserva informações que poderiam revelar sua localização exata ou comprometer sua segurança.
“Um verdadeiro inferno”: o alerta aos brasileiros que pensam em ir para a guerra
Talvez a mensagem mais contundente deixada por Marcos tenha sido direcionada aos brasileiros que cogitam viajar para a Ucrânia em busca de dinheiro ou de uma experiência militar.
Talvez a mensagem mais contundente deixada por Marcos tenha sido direcionada aos brasileiros que cogitam viajar para a Ucrânia em busca de dinheiro ou de uma experiência militar.
Ele descreveu a realidade que afirma enfrentar como um “verdadeiro inferno”.
Na avaliação do entrevistado, os riscos são enormes, as condições são difíceis e a remuneração não compensa o perigo.
Marcos procura desencorajar outros brasileiros a seguirem o mesmo caminho.
Sua advertência ganha um significado ainda mais forte quando considerada sua situação familiar: ele é pai de quatro filhos e está distante do Brasil há aproximadamente um ano.
Apesar das dificuldades e das mortes que afirma ter presenciado e provocado em combate, o janaubense insiste que não se arrepende de ter viajado para ajudar a Ucrânia.
O sentimento de solidariedade que o motivou permanece, mas agora convive com a necessidade de preservar a própria vida.
Um filho de Janaúba diante de uma potência nuclear
A história de Marcos chama atenção pela dimensão do contraste.
A história de Marcos chama atenção pela dimensão do contraste.
De um lado, Janaúba, município do Norte de Minas Gerais, onde estão suas origens e parte de sua trajetória.
Do outro, a Ucrânia, palco de um conflito internacional que envolve diretamente a Rússia, uma das maiores potências militares e nucleares do planeta.
Um homem que saiu do interior mineiro e afirma ter chegado aos campos de batalha de uma guerra que mobiliza governos, exércitos e interesses geopolíticos de alcance mundial.
A distância entre essas duas realidades parece imensa. Mas, para Marcos, ela se tornou parte de sua própria história.
O enfermeiro, que antes vivia em Belo Horizonte, hoje relata uma rotina de incertezas, restrições, dificuldades e medo de não conseguir retornar ao país onde nasceram seus vínculos familiares.
Entre a guerra e a esperança, o sonho de voltar para Janaúba
Ao final da entrevista, uma questão se destacou acima das demais.
Ao final da entrevista, uma questão se destacou acima das demais.
Marcos não falou apenas sobre confrontos, mortes, dinheiro ou condições militares. Falou sobre o desejo de voltar.
Voltar ao Brasil. Deixar para trás os riscos da guerra. Recuperar a liberdade de decidir seu próprio destino. Reencontrar a vida que deixou do outro lado do oceano.
O homem que afirma ter enfrentado soldados russos agora trava uma batalha pessoal: conseguir sair de um país em guerra e regressar em segurança.
A entrevista concedida ao jornalista Pablo de Mello traz à tona uma história que merece atenção, sobretudo pelas alegações sobre mortes em combate, retenção de documentos e dificuldades enfrentadas por um cidadão brasileiro no exterior.
Quem poderia imaginar que um morador do bairro São Lucas, em Janaúba, estaria envolvido diretamente em uma guerra contra as forças militares de uma potência nuclear como a Rússia?
A história que começou com comentários e desconfianças nas redes sociais agora tem um personagem que decidiu mostrar o rosto e contar sua versão.
E, em meio a tantas revelações, permanece uma pergunta carregada de incerteza: quando Marcos conseguirá deixar a guerra para trás e voltar vivo para casa?
Reportagem especial: Pablo de Mello Notícias.
As declarações sobre participação militar, mortes em combate, remuneração e retenção do passaporte são atribuídas ao entrevistado e não foram verificadas de forma independente.
As declarações sobre participação militar, mortes em combate, remuneração e retenção do passaporte são atribuídas ao entrevistado e não foram verificadas de forma independente.
Medo de represálias: janaubense esconde o rosto e preserva a identidade por temor de punições na Ucrânia
Um dos aspectos mais preocupantes da entrevista foi o medo demonstrado por Marcos ao revelar detalhes de sua experiência na guerra. Embora tenha conversado por chamada de vídeo com o jornalista Pablo de Mello, o brasileiro pediu que seu rosto e outras informações capazes de identificá-lo fossem preservados, temendo possíveis represálias das próprias autoridades ucranianas.
Um dos aspectos mais preocupantes da entrevista foi o medo demonstrado por Marcos ao revelar detalhes de sua experiência na guerra. Embora tenha conversado por chamada de vídeo com o jornalista Pablo de Mello, o brasileiro pediu que seu rosto e outras informações capazes de identificá-lo fossem preservados, temendo possíveis represálias das próprias autoridades ucranianas.
Segundo Marcos, existe um rígido controle sobre a comunicação dos militares, especialmente quando envolve informações sobre as condições enfrentadas nos bastidores do conflito. Ele afirma que soldados flagrados utilizando celulares sem autorização ou divulgando determinadas informações podem sofrer punições imediatas.
Na avaliação do janaubense, as dificuldades, os riscos e as situações degradantes vivenciadas pelos combatentes não seriam de interesse das autoridades ucranianas quando se trata de divulgação pública. Marcos acredita que expor essa realidade poderia contrariar a imagem apresentada sobre a participação de estrangeiros na guerra.
O temor de represálias é tão grande que, durante os aproximadamente 20 minutos de conversa, o brasileiro permaneceu preocupado com a possibilidade de ser descoberto. Para ele, revelar publicamente sua identidade poderia colocar em risco sua segurança e agravar ainda mais sua situação no país.
Por respeito ao pedido do entrevistado e para preservar sua integridade física, a reportagem de Pablo de Mello Notícias decidiu não divulgar seu rosto, sua identificação completa ou qualquer informação que possa facilitar sua localização.
As denúncias sobre restrições de comunicação, punições e eventual tentativa de ocultar as condições da guerra representam a versão apresentada por Marcos e não foram confirmadas de maneira independente junto às autoridades ucranianas.
O que deveria ser apenas uma entrevista sobre a presença de um janaubense na guerra transformou-se também em um relato de medo e insegurança. Para Marcos, o perigo não estaria apenas nos confrontos com as tropas russas, mas também nas possíveis consequências de revelar ao mundo aquilo que afirma estar vivendo nos bastidores do conflito.

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