O empresário e liderança política Lindomar Correia da Silva, conhecido como Correinha, procurou o Ministério Público de Minas Gerais para denunciar uma suposta campanha de perseguição política e boicote econômico contra 37 comerciantes identificados como apoiadores do presidente Lula. O vice-prefeito de Jaíba, Sidney da Uva, identificado como bolsonarista, é apontado como um dos supostos responsáveis pela articulação. Até cinco vereadores foram incluídos em uma lista que estaria alimentando a polarização política no município.
Uma grave denúncia envolvendo perseguição política, possíveis represálias econômicas e a participação atribuída a integrantes do poder público promete provocar forte repercussão em Jaíba, no Norte de Minas Gerais.
Nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, o empresário e liderança política Lindomar Correia da Silva, popularmente conhecido como Correinha, compareceu à Promotoria de Justiça de Jaíba para denunciar uma suposta campanha de boicote contra comerciantes que teriam apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente reeleito, Lula, no segundo obteve em Jaíba 56,92% dos votos válidos, o que equivale a 11.716 votos.
No centro da controvérsia um dos nomes que aparece é o do atual vice-prefeito de Jaíba, Sidney da Uva, identificado como apoiador do então candidato Flávio Bolsonaro e apontado, nas alegações relacionadas ao caso, como possível principal articulador da suposta perseguição.
O termo de declaração registrado pelo Ministério Público menciona Sidney da Uva e Claudiney Melo como responsáveis pelo grupo relacionado à divulgação da lista. O documento, entretanto, não comprova que Sidney tenha organizado ou comandado o alegado boicote.
Lista com 37 comerciantes seria usada para incentivar boicote contra eleitores de Lula
Segundo Correinha, após o segundo turno das eleições, começou a circular em grupos de WhatsApp uma relação intitulada “Comerciantes Petista de Jaíba”.
A lista reúne 37 nomes de comerciantes, empresários, profissionais autônomos e estabelecimentos comerciais que seriam identificados como apoiadores do presidente Lula.
Conforme a denúncia, o objetivo da divulgação seria estimular a população de direita a deixar de consumir produtos e serviços dessas pessoas, criando uma espécie de punição econômica motivada por divergências políticas.
O episódio passou a ser descrito como uma verdadeira “caça às bruxas” contra supostos eleitores de Lula, diante da possibilidade de trabalhadores e empresários sofrerem prejuízos simplesmente por serem associados a determinado posicionamento político.
Vice-prefeito bolsonarista no centro da polêmica
A menção ao vice-prefeito Sidney da Uva é um dos elementos de maior repercussão política do caso.
De acordo com as alegações apresentadas, Sidney teria participação central na articulação relacionada à lista, juntamente com Claudiney Melo.
Caso uma eventual investigação confirme a existência de uma campanha organizada para prejudicar comerciantes por suas preferências políticas, o episódio poderá assumir consequências que ultrapassam o debate eleitoral.
Por enquanto, a suposta participação do vice-prefeito permanece no campo das acusações, sem comprovação apresentada no termo de declaração.
Cinco vereadores também aparecem na relação
A polêmica ganhou ainda mais força porque a lista divulgada não se restringe aos comerciantes.
Cinco vereadores de Jaíba também foram classificados como supostos petistas: Têla, Fola, Werley Lima, Leiliane e Ju Gurutubano.
A presença dos parlamentares na relação amplia o alcance político da controvérsia e levanta questionamentos sobre uma possível tentativa de exposição pública de pessoas identificadas com determinado campo político.
A classificação, porém, não comprova a filiação partidária nem a preferência eleitoral dos vereadores mencionados.
Correinha leva denúncia ao Ministério Público e pede providências
Diante da situação, Correinha decidiu recorrer ao Ministério Público de Minas Gerais.
O empresário afirmou que a circulação da lista estaria provocando problemas no comércio local e relatou ter procurado orientação jurídica antes de formalizar sua declaração.
Segundo o documento, um advogado consultado pelo empresário teria informado sobre a possibilidade de crime eleitoral, motivo pelo qual Correinha solicitou providências.
A denúncia foi registrada oficialmente na Promotoria de Justiça de Jaíba, mas ainda não há, no material apresentado, conclusão sobre a existência de crime ou responsabilidade dos citados.
Jaíba diante de uma pergunta explosiva: divergência política virou motivo para perseguição?
O caso coloca em evidência os riscos de a polarização política ultrapassar as urnas e atingir diretamente a atividade econômica de cidadãos.
A suposta campanha contra comerciantes identificados como apoiadores de Lula levanta questionamentos sobre intolerância política, liberdade de escolha e possíveis tentativas de constrangimento econômico.
A denúncia de Correinha coloca o nome do vice-prefeito Sidney da Uva no centro de uma controvérsia que agora poderá ser examinada pelas autoridades.
A questão que permanece é se a circulação da lista foi apenas uma manifestação de posicionamento político ou se existiu uma articulação organizada para provocar prejuízos aos comerciantes mencionados.
Em Jaíba, a pergunta que fica é: até onde pode chegar a rivalidade entre bolsonaristas e apoiadores de Lula quando a disputa política passa a atingir o comércio, o trabalho e o sustento das pessoas?
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