Paciente aguarda procedimento para retirada de tumor na mama, enquanto denúncia relata desencontro de informações, dúvidas sobre orçamentos e possível demora administrativa. Decisão judicial teria estabelecido prazo máximo de 20 dias para realização da cirurgia.
Um caso delicado envolvendo saúde, Justiça e poder público provoca sérios questionamentos em São Francisco, no Norte de Minas. Uma denúncia anônima, datada desta quinta-feira (17), pede ao Ministério Público de Minas Gerais uma apuração urgente sobre o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à cirurgia de uma paciente com tumor filoide na mama.
O que torna a situação ainda mais preocupante é que, segundo o documento, a Justiça já determinou a realização do procedimento.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara da Comarca de São Francisco, no processo nº 5001463-54.2026.8.13.0611, e determina que o Estado de Minas Gerais e o Município de São Francisco providenciem a ressecção de tumor de partes moles na mama esquerda, acompanhada de reconstrução e mamoplastia redutora não estética.
Justiça teria dado prazo de 20 dias
Segundo a denúncia, a determinação judicial estabeleceu prazo máximo de 20 dias para a realização da cirurgia, incluindo exames pré-operatórios, internação, anestesia e materiais necessários. O documento também menciona possibilidade de bloqueio de valores diante do descumprimento da ordem.
Mas é justamente a partir daí que começa uma sequência de relatos que levanta questionamentos.
A denúncia afirma que, durante a tentativa de acompanhar a cirurgia, teriam sido repassadas versões diferentes sobre o andamento do procedimento.
Em determinado momento, segundo o relato, teria sido informado que a cirurgia estava encaminhada e que faltaria apenas o pagamento. Porém, o documento sustenta que o próprio médico mastologista e pessoas envolvidas no hospital não teriam conhecimento daquela confirmação.
Afinal, o que estava faltando para a cirurgia?
As informações descritas na denúncia mudam ao longo do documento.
Primeiro, haveria uma questão envolvendo a confirmação do médico. Depois, a cirurgia estaria sendo verificada em outro hospital, localizado em Brasília de Minas. Em seguida, teria sido informado que o procedimento dependeria do hospital. Posteriormente, a informação seria de que estava “tudo encaminhado”.
E o caso ganhou outro capítulo envolvendo os orçamentos necessários para o procedimento administrativo.
Conforme a denúncia, em determinado momento teria sido informado que apenas um orçamento havia sido conseguido e enviado em 16 de setembro. Logo depois, outra informação apontaria que os três orçamentos já haviam sido obtidos.
Diante desse verdadeiro desencontro de versões relatado no documento, surgem perguntas que agora são colocadas para apuração: quantos orçamentos realmente existem? Quando foram solicitados? Para onde foram encaminhados? Em que estágio está a contratação? E, principalmente, quando a cirurgia será realizada?
A própria denúncia pede esclarecimentos sobre essas questões e solicita que seja investigado se houve alguma demora administrativa injustificada no cumprimento da decisão.
Denunciante diz ter áudios, prints e documentos
O caso pode ganhar novos desdobramentos. Isso porque o documento afirma que existem áudios, prints, documentos médicos, decisão judicial e outros comprovantes relacionados às comunicações e ao andamento da cirurgia. O pedido é para que todo esse material seja analisado pelas autoridades competentes.
A denúncia solicita ainda que sejam verificadas oficialmente as informações sobre a contratação, os três orçamentos, os responsáveis pelo andamento administrativo e a situação de eventual bloqueio judicial de valores. Também pede a apuração de possível omissão de informações ou irregularidade administrativa, caso isso seja efetivamente constatado.
Caso agora cobra respostas
No centro de toda a controvérsia está uma paciente que aguarda a realização de um procedimento cirúrgico determinado judicialmente.
A denúncia termina cobrando providências para garantir a cirurgia e solicita que a Secretaria Municipal de Saúde e os setores responsáveis apresentem explicações formais, documentadas e coerentes sobre o que efetivamente aconteceu durante o andamento do caso.
Apesar da gravidade dos relatos, é fundamental destacar que o próprio documento ressalta que não acusa previamente as pessoas citadas de terem cometido crimes ou irregularidades. O que existe, até o momento, é um pedido de apuração para que os fatos e eventuais responsabilidades sejam esclarecidos.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de São Francisco, da Secretaria Municipal de Saúde e dos demais citados na denúncia.
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