Prefeito de São Romão “fujão”? Allan do Sax evita notificação, protagoniza cena inusitada e caso ganha repercussão nacional




O que deveria ser apenas mais um ato formal da política de São Romão acabou se transformando em uma verdadeira perseguição pelas ruas da cidade — e colocou o município no noticiário nacional.

O protagonista da confusão foi o prefeito Allan Soares Cardoso, o conhecido Allan do Sax (MDB). Vereadores tentavam entregar ao chefe do Executivo uma notificação referente à abertura de um processo de cassação de seu mandato, mas a missão terminou em cenas dignas de filme.

E a pergunta que tomou conta dos bastidores políticos é inevitável: por que tanta dificuldade para receber uma notificação?

Segundo as informações divulgadas, Allan já teria sido procurado anteriormente por diferentes meios, sem que a entrega do documento fosse concretizada. Na sexta-feira (11), representantes da Câmara decidiram tentar notificá-lo pessoalmente.

Foi aí que começou a confusão.

Imagens de câmeras de segurança mostram o presidente da Câmara, Robson Alves Barroso, em uma caminhonete preta, tentando alcançar o automóvel onde estavam Allan do Sax e o secretário municipal de Transporte. Durante a movimentação, a caminhonete chega a passar pelo canteiro central e pela contramão.

Do outro lado, o veículo onde estava o prefeito realiza manobras para conseguir deixar o local.

A cena rapidamente ganhou repercussão e transformou um embate político de uma pequena cidade do Norte de Minas em assunto de alcance nacional. O episódio chegou às páginas do Metrópoles, ampliando a exposição da crise política instalada em São Romão.

De “Allan do Sax” a “prefeito fujão”
Nas redes sociais e nos bastidores políticos, o episódio abriu espaço para uma avalanche de questionamentos. Afinal, se a Câmara pretendia apenas entregar uma notificação oficial sobre um processo político-administrativo, por que o documento não foi simplesmente recebido?

A cena alimentou a imagem de um prefeito que estaria tentando escapar do enfrentamento político justamente no momento em que deveria encarar as acusações e apresentar sua defesa.

O episódio já rende a Allan do Sax uma alcunha nada confortável entre seus críticos: “prefeito fujão”.

Mas há outro lado na história. Allan apresentou uma versão bem diferente: afirmou que ele e o secretário ficaram com medo durante a abordagem e chegaram a imaginar que poderiam estar diante de uma tentativa de atentado. Após deixar o local, o prefeito procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência.

As circunstâncias da abordagem e eventuais infrações ou responsabilidades deverão ser apuradas pelas autoridades. As imagens, por si só, não permitem afirmar que tenha ocorrido crime.

E no meio da confusão está um processo de cassação
Toda essa batalha tem como pano de fundo algo muito mais sério: um processo que pode terminar com a cassação do mandato do prefeito.

A denúncia foi protocolada na Câmara em 24 de agosto pelo tenente da Polícia Militar José Kléber de Oliveira Santos e envolve uma emenda parlamentar de R$ 35.690,25, destinada à Associação dos Amigos do Asilo de São Romão (AMISAR).

A verba, prevista no orçamento de 2025 por meio de emenda apresentada pelo vereador Robson Alves Barroso, seria destinada à aquisição de um veículo para o asilo.

Segundo a denúncia, uma licitação teria terminado deserta e, posteriormente, a dotação orçamentária destinada à entidade teria sido zerada pelo Executivo.

O denunciante sustenta que os fatos podem configurar infrações político-administrativas previstas no Decreto-Lei nº 201/1967 e pede que a Câmara apure o caso e avalie a cassação do mandato.

Isso não significa, porém, que Allan do Sax seja culpado. O processo está justamente na fase destinada à apuração dos fatos, com direito à defesa e ao contraditório.

São Romão vira manchete nacional
O resultado político imediato, entretanto, já aconteceu.

Uma notificação que deveria permanecer restrita ao rito institucional da Câmara transformou-se em uma confusão pelas ruas, foi parar na polícia, incendiou as redes sociais e ultrapassou as fronteiras do Norte de Minas.

São Romão virou assunto nacional — mas não pelo motivo que seus moradores provavelmente gostariam.

Agora, além de enfrentar um processo político que pode ameaçar seu mandato, Allan do Sax terá que administrar também o desgaste provocado pelas imagens e responder à pergunta que ficou depois de toda essa confusão:
se era apenas uma notificação, por que foi tão difícil recebê-la?

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