A política de São Francisco voltou ao centro de uma grande polêmica. O ex-prefeito Evanilso Aparecido Carneiro, conhecido popularmente como “Veim”, foi condenado pela Justiça estadual por recebimento indevido de diárias de viagem durante sua gestão em 2017. A decisão causou forte repercussão no município do Norte de Minas e coloca novamente em evidência denúncias envolvendo dinheiro público.
A sentença, proferida pelo Núcleo de Justiça 4.0 da Fazenda Pública de Belo Horizonte, atendeu parcialmente a uma ação movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontou irregularidades graves em pagamentos realizados ao então chefe do Executivo municipal.
De acordo com o processo, Veim recebeu mais de R$ 58 mil em diárias apenas no ano de 2017. As investigações identificaram pagamentos duplicados e até viagens registradas para destinos diferentes nas mesmas datas, situação considerada incompatível e sem justificativa plausível pela Justiça.
O juiz Rômulo dos Santos Duarte destacou que, após as mudanças na Lei de Improbidade Administrativa, passou a ser necessária a comprovação de dolo específico — ou seja, a intenção consciente de obter vantagem indevida. Mesmo assim, o magistrado concluiu que houve irregularidades suficientes para caracterizar enriquecimento ilícito em parte dos valores recebidos.
A condenação ficou restrita ao valor de R$ 8.290, quantia considerada irregular pela Justiça. Além de devolver o montante aos cofres públicos, o ex-prefeito também foi condenado ao pagamento de multa civil no mesmo valor.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi a punição política: Veim teve os direitos políticos suspensos por quatro anos, medida que será aplicada após o trânsito em julgado da decisão.
Apesar da condenação, a Justiça afastou parte das acusações apresentadas pelo Ministério Público. Testemunhas afirmaram que o então prefeito realizava viagens institucionais frequentes, e o juiz entendeu que a ausência de notas fiscais, sozinha, não seria suficiente para comprovar irregularidade em todos os pagamentos.
Ainda assim, os episódios de sobreposição de datas e diárias em duplicidade pesaram na decisão final e aumentaram a repercussão do caso em São Francisco, onde o nome do ex-prefeito voltou a dominar as discussões políticas e os bastidores do município.
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