Em estado de calamidade pública por causa da seca, Francisco Sá fica deserta no carnaval
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Na segunda-feira de carnaval, a Alameda Montes Claros, que 'fervia' em outros anos, ficou completamente vazia: cidade enfrenta racionamento |
Ontem, a segunda-feira de carnaval parecia um dia normal no lugar, com alguns estabelecimentos comerciais funcionando normalmente. No Centro de Francisco Sá, a Alameda Montes Claros, espaço que sempre foi movimentado nos períodos de festa, era dominada pelo paradeiro, com alguns bares abertos e pouco movimento
Celso Durães, dono de uma padaria no Centro, reclamou da suspensão do carnaval. “Foi péssimo. Fiquei sem vender nada”, lamentou. Proprietário de uma revenda de materiais de construção na principal avenida do Bairro João Gonçalves, Carlos Alves da Cruz abriu normalmente a sua loja. Ele disse que nem procurou se informar direito sobre a decisão do Executivo municipal de cancelar a festa por causa da crise hídrica. “Não me importo com o carnaval. Mas, se a prefeitura tomou a medida (do cancelamento da festa), achei bom porque iria gastar dinheiro com uma coisa que nem todo mundo gosta. Além disso, toda economia é bem-vinda”.
O comerciante disse que lamenta as dificuldades vividas pela população da cidade, que enfrenta o racionamento, recebendo água em casa em dias alternados, e reza para São Pedro mandar mais chuva, o único jeito de evitar um drama pior, segundo ele. Por outro lado, Carlos Cruz lucra com a situação: em apenas um mês, vendeu 50 caixas d água, adquiridas por moradores preocupados com a necessidade de armazenar água em casa. “Em situação normal, só venderia esta mesma quantidade em seis meses”, revela.
Entre os moradores de Francisco Sá, a suspensão do carnaval, motivada pela falta d água, é vista com bons olhos. “Achei que o carnaval teria que ser cancelado mesmo, pois a escassez de água é uma coisa muito séria”, avalia a professora Ludmila Alves, lembrando que muita gente da cidade decidiu curtir a festa na vizinha Grão Mogol. A doméstica Nozinha Maria Alves também é favorável à suspensão do evento. “Tudo o que for feito para economizar água a gente tem que apoiar”, afirmou. Ela relatou que, em função do racionamento, está fazendo tudo o que pode para reduzir o consumo de água. “Só limpo a casa de dois em dois dias e lavo roupa a cada três.”
BARRAGEM BAIXA A Barragem do Rio Domingos, onde é captada a água para abastecer Francisco Sá, baixou para 8% de sua capacidade em janeiro. Entretanto, com as chuvas da semana passada, o nível do reservatório subiu para pouco mais de 10%. A prefeitura argumenta que o aumento do volume ainda não foi suficiente para interromper o racionamento.
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