A cidade de Salinas, no Norte de Minas, amanheceu mergulhada em dor após mais um capítulo devastador envolvendo a temida BR-251. Conhecida por muitos como “rodovia da morte”, a estrada voltou a registrar uma cena de destruição que chocou toda a região: seis pessoas da mesma família perderam a vida em uma colisão frontal violenta na madrugada desta terça-feira (21).
O acidente aconteceu em um trecho de reta, com boas condições de tráfego — um detalhe que torna a tragédia ainda mais inquietante. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o carro onde estava a família teria invadido a contramão e colidido de frente com uma carreta que seguia viagem interestadual. O impacto foi brutal. Nenhum dos ocupantes do automóvel resistiu.
As vítimas — entre elas três crianças — tiveram os corpos encaminhados ao Instituto Médico Legal de Taiobeiras e, posteriormente, liberados para traslado até o estado de São Paulo, onde serão veladas e sepultadas. Uma despedida marcada pela dor e pela incredulidade.
Apesar de o trecho do acidente ser reto, a BR-251 carrega um histórico assustador. Com pista simples, curvas perigosas e tráfego intenso de veículos pesados, a rodovia corta o Norte de Minas como um corredor de riscos constantes. Só em 2025, foram registrados 271 acidentes, deixando 51 mortos. Em 2026, os números já acendem novo alerta — e nem sequer incluem essa tragédia recente.
E o cenário é ainda mais alarmante: em menos de uma semana, pelo menos três acidentes graves foram registrados ao longo da mesma rodovia. Em Grão Mogol, dois homens morreram e oito pessoas ficaram feridas após uma carreta tombar e atingir outros veículos. Já em Francisco Sá, uma sequência de colisões envolvendo quatro carretas deixou feridos e expôs, mais uma vez, o perigo constante enfrentado por quem trafega pela via.
No caso mais recente em Salinas, o motorista da carreta, que não se feriu, deverá prestar depoimento posteriormente. A Polícia Civil investiga as causas do acidente, e o laudo pericial deve ser concluído em até 30 dias.
Enquanto isso, fica o rastro de dor, revolta e um questionamento que ecoa entre motoristas e moradores: até quando a BR-251 continuará colecionando tragédias?
Salinas chora. E a estrada, mais uma vez, deixa marcas impossíveis de apagar.
As vítimas foram identificadas como:
- José de Ribamar dos Santos Rodrigues Filho, de 49 anos: motorista do automóvel
- Maria Cintia Cavalcanti dos Santos, de 39 anos: esposa do condutor
- Julia Raqueli Cavalcanti dos Santos, de 15 anos: filha do casal
- Isaac Valentim Cavalcanti dos Santos, de 10 anos: filho do casal
- João Murilo Cavalcanti dos Santos, de 3 anos: filho do casal
- Solange Pereira Cavalcanti, de 59 anos: mãe de Maria Cintia
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