Padre Carvalho volta a ocupar o centro de um escândalo que promete fortes desdobramentos. O Ministério Público Federal decidiu endurecer o cerco e transformou em inquérito civil a investigação que apura possíveis fraudes em uma licitação da Prefeitura de Padre Carvalho, realizada para a recuperação de estradas vicinais com recursos federais.
A decisão foi formalizada nesta segunda-feira (12) pelo procurador da República Marcelo Malheiros Cerqueira, do 3º Ofício da Procuradoria da República em Montes Claros, e marca uma nova e mais profunda fase das apurações. O procedimento seguirá sob sigilo, o que aumenta ainda mais a expectativa em torno do caso.
A medida do Ministério Público Federal ocorre após os avanços da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, que em agosto do ano passado deflagrou a Operação Dolomita. A ação revelou indícios contundentes de fraude em licitação e possível desvio de recursos públicos em um contrato financiado majoritariamente com verbas da União.
Segundo o MPF, embora já existam elementos relevantes, o material reunido até agora ainda não é suficiente para o ajuizamento imediato de uma ação civil pública nem para o arquivamento do procedimento. Por isso, a conversão em inquérito civil permitirá o aprofundamento da análise e o acompanhamento direto do desenrolar da investigação criminal.
No centro das suspeitas está um contrato que teria beneficiado a empresa vencedora da licitação com cerca de R$ 606 mil, sendo aproximadamente R$ 573 mil provenientes de repasse federal. As investigações apontam que, apesar de receber os valores, a empresa teria utilizado máquinas e servidores da própria Prefeitura de Padre Carvalho para executar os serviços, levantando fortes indícios de irregularidade e possível dano ao erário.
Levantamentos preliminares também acenderam um alerta vermelho: a empresa investigada não apresentaria estrutura compatível com obras de engenharia, não possuindo sede física efetiva, equipamentos adequados nem quadro funcional suficiente. Além disso, diligências indicaram alterações no objeto social da empresa, feitas às pressas para incluir atividades ligadas a obras públicas, em aparente tentativa de se adequar às exigências dos editais.
Diante da gravidade dos indícios, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região autorizou uma série de medidas rigorosas, incluindo buscas e apreensões, quebras de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, além do bloqueio de bens e valores até o limite aproximado do montante investigado.
Os mandados foram cumpridos em endereços ligados aos investigados nos municípios de Padre Carvalho, Montes Claros e São João da Lagoa. Durante a operação, foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos, veículos, dinheiro em espécie, além de arma de fogo e munições, ampliando ainda mais o campo das investigações.
Todo o material recolhido agora serve de base para novas frentes de apuração. O inquérito civil poderá resultar em ação por improbidade administrativa, desmembramento do caso ou até arquivamento, a depender do avanço das investigações.
Enquanto isso, Padre Carvalho permanece no epicentro de um escândalo que envolve recursos federais, suspeitas graves e o olhar atento dos órgãos de controle, deixando a população à espera de respostas e de responsabilizações.
Falta de vergonha na cara desses órgãos responsáveis por cuida e administrar o os nossos recursos e fas e ums absurdos desses
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